Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

FMI projeta contração de 5,3% do PIB brasileiro em 2020 e recuperação ainda parcial em 2021

Dólar abriu esta terça-feira em baixa, mas avança no início da tarde com preocupações acerca do impacto fiscal do plano de ajuda a estados e municípios

O par dólar/real abriu em queda de 0,4% nesta terça-feira (14), chegando a ser negociado abaixo dos R$ 5,17. O movimento da moeda brasileira acompanhava os sinais positivos vindos do cenário externo, após a divulgação de dados melhores do que o esperado para a economia chinesa e de indícios de que Itália e Espanha começaram a afrouxar as medidas de distanciamento físico exigidas pela pandemia novo coronavírus.

De acordo com os dados alfandegários da China, as exportações do país se encolheram em 6,6% em março, no comparativo com o mesmo mês do ano passado, abaixo do consenso dos analistas, que projetavam uma queda de 14%, e menor do que a queda acentuada de 17,2% observada no primeiro bimestre de 2020. Com a retomada das atividades no país ganhando força, a tendência é de que essa contração nas exportações se reduza nos próximos meses, entretanto o cenário ainda não é claramente benigno. O retorno à “normalidade” na China ocorre de maneira dessincronizada com o restante do mundo, que ainda deve manter em vigor as medidas de contenção à COVID-19. Por essa razão, a demanda global deve seguir em níveis mais fracos nos próximos meses, limitando as expectativas para a recuperação dos indicadores comerciais chineses no curto prazo.

Ainda no cenário externo, os mercados acompanhavam a divulgação das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho da economia mundial em meio à crise resultante da pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Fundo, esta deve ser a recessão mais profunda desde os anos 1930, com expectativa de queda de 3,0% no PIB mundial em 2020, e uma recuperação rápida de 5,8% em 2021. Os riscos de novas ondas de COVID-19 entre o final deste ano e o ano que vem, e de atrasos no desenvolvimento e distribuição de uma vacina contra o novo coronavírus, são fatores que poderiam atenuar a retomada global em 2021.

O desempenho da economia mundial deve ser desigual neste ano, com expectativa de recuo acentuado nas economias avançadas, com queda de 6,1%, puxado pelos Estados Unidos (-5,9%) e pela zona do euro (-7,5%), e de contração menos brusca nas economias emergentes (-1,0%). A Ásia emergente (1,0%), em especial a China, Índia e economias da ASEAN devem mostrar-se mais resilientes nesta crise, enquanto a América Latina (-5,3%), Rússia (-5,5%) e África do Sul (-5,8%) podem ficar entre os maiores perdedores.

Sobre o Brasil, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, comentou que a incidência de choques múltiplos, vindos da queda dos preços das commodities nos últimos anos e da desaceleração de parceiros comerciais importantes, como a China, colocam o país em uma situação mais frágil neste momento de crise. Apesar de ressaltar a importância da manutenção de uma agenda de reformas econômicas no médio prazo, a economista-chefe recomenda que o foco da política econômica deve estar voltado para o combate à COVID-19 neste momento. De acordo com as projeções do FMI, o Brasil pode contrair-se em 5,3% neste ano e recuperar-se parcialmente em 2021, avançando 2,9%.

No cenário doméstico, as atenções estão voltadas para os embates entre os Poderes em Brasília e para a possibilidade de demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Em entrevista nesta terça-feira, o vice-presidente, Hamilton Mourão, comentou que Mandetta passou do limite em declarações feitas no domingo, ao afirmar que a população estava confusa pelas mensagens conflitantes entre o presidente Jair Bolsonaro e o Ministério da Saúde, sinalizando que o ministro possa ter perdido um apoio importante no governo.

O dólar voltou a avançar por volta das 12h, e opera novamente dentro da faixa dos R$ 5,20. A aprovação do plano de ajuda emergencial a estados e municípios pela Câmara, e as preocupações com o impacto fiscal dessa medida, ajudavam a pressionar a moeda brasileira.

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