Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Dólar segue na faixa dos R$ 4,16, de olho no exterior e na Previdência

Senado aprova PEC 6/2019 em primeiro turno, mas faz ajustes ao texto e reduz economia prevista

A moeda americana chegou a avançar de maneira mais intensa na manhã dessa terça-feira (1º), apoiada pela cautela dos investidores com as manifestações violentas em Hong Kong e após a divulgação do índice da atividade manufatureira do ISM para os Estados Unidos. Imerso no contexto da guerra comercial, o setor apresentou pelo terceiro mês consecutivo forte contração nos novos pedidos de exportação, além de reduções no total geral de novos pedidos e nas encomendas em produção. Em setembro, o indicador do ISM ficou em 47,8 pontos, frustrando as expectativas dos analistas por 2,2 pontos. Números abaixo de 50 pontos para o índice sugerem que o setor encontra-se em retração.

No início da tarde, o anúncio da aprovação do texto-base da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e de seu encaminhamento para votação pelo plenário conferiram suporte ao real. O colegiado rejeitou todas as emendas apresentadas ao texto, evitando novas perdas significativas à economia fiscal prevista de R$ 876,7 bilhões em 10 anos. Com a alta percebida nas primeiras horas de negociação amenizada, o par dólar/real encerrou a sessão cotado a R$ 4,162, registrando variação diária de +0,2%.

O plenário do Senado votou e aprovou em primeiro turno no final da noite de ontem a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019 com 56 votos favoráveis e 19 contrários, abaixo das expectativas do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM), de 60 a 63 votos favoráveis . Além da votação do texto-base em primeiro turno, os senadores também apreciaram quatro de 10 destaques feitos à proposta, aprovando destaques supressivos que alteram as condições para o recebimento do abono salarial e a regra de transição de trabalhadores expostos a agentes nocivos. Os ajustes ao texto, especialmente aquele que trata do abono salarial, foram vistos como derrotas do governo na votação. A estimativa é de que a economia prevista com a reforma seja reduzida em cerca de R$ 82 bilhões devido às mudanças aprovadas pelos senadores.

Nesta quarta-feira (2), o plenário do Senado deve reunir-se a partir das 11h00 para retomar a votação dos destaques ao texto-base da reforma da Previdência. A medida ainda precisa ser votada em segundo turno pelos senadores, o que deve acontecer ainda no mês de outubro. Em declarações recentes, Alcolumbre afirmou acreditar que a votação em segundo turno possa ocorrer até o próximo dia 10, entretanto não há um consenso entre os senadores. Um grupo de parlamentares e governadores tem pressionado para usar a votação em segundo turno como moeda de troca com a Câmara, para que os deputados apressem a votação sobre a partilha com estados e municípios dos recursos que serão arrecadados no megaleilão do excedente da cessão onerosa da Petrobras, previsto para 6 de novembro.

O BC retomou nessa terça-feira a rolagem de contratos de swap cambial com vencimento no início de dezembro. O montante de US$ 11,509 bilhões (230.170 contratos) será trocado por meio da oferta de dólares à vista, acompanhados simultaneamente por swaps reversos de mesmo valor, ou rolado por swaps cambiais tradicionais que complementarão a venda de dólares no mercado spot.

 

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