Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Dólar opera em alta, cotado a R$5,06

Divisa se fortalece no exterior e ganha suporte com o adiamento da PEC Emergencial para 2021

O par real/dólar operava em alta de 0,5% no início da tarde desta sexta-feira, repercutindo o movimento da moeda americana no exterior e os receios dos operadores no mercado doméstico com o futuro dos indicadores fiscais do Brasil. Cotada a R$5,06, a divisa ainda caminhava para registrar queda semanal expressiva de 1,3%, favorecida pela sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o encerramento do forward guidance e da possibilidade de elevar a taxa básica de juros no médio prazo.

No exterior, o dólar registrava leve alta de 0,2% ante uma cesta de moedas de economias avançadas, cotado logo abaixo dos 91 pontos. O movimento do dollar index repercutia o fortalecimento da divisa ante a libra esterlina, em vista das chances cada vez mais remotas de um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia até o encerramento do período de transição do Brexit, no final deste ano. No acumulado da semana, a moeda americana caminha para uma leve valorização de 0,3%.

A libra esterlina chegou a recuar mais de 1% ante o dólar americano nesta manhã, depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmar em reunião de cúpula da UE que há uma “probabilidade mais elevada” de que as conversas com o Reino Unido não resultem em um acordo. A sinalização pessimista reforçou um comentário feito pelo primeiro-ministro britânico Boris Johnson na véspera, afirmando que as negociações poderiam falhar devido ao interesse de Bruxelas em manter o Reino Unido “preso à órbita da UE”. Caso um acordo não seja aprovado até 31 de dezembro, a falta de clareza nas regras de comércio pode atrapalhar as transações de mercadorias e serviços, que passarão a ser sujeitas à tarifação.

Em adição à desvalorização da moeda britânica, o movimento construtivo do dólar também estava associado nesta sexta-feira ao impasse nas negociações no Congresso americano por um pacote de estímulos adicionais. As divergências entre a proposta defendida pelo líder republicano do Senado, Mitch McConnell, que inclui proteções legais a empresas e empregadores contra processos relacionados à Covid-19, e o projeto encampado pela presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, que destina uma parcela significativa de recursos aos governos estaduais e locais, impediam a continuidade das discussões.

Uma política fiscal mais expansionista, complementando as medidas aprovadas no primeiro semestre para atenuar os impactos da pandemia, é considerada indispensável para garantir a consolidação da recuperação da economia americana. Desde a metade de 2020, os membros do Comitê de Mercado Aberto do Fed (FOMC), têm alertado sobre a necessidade de um papel mais atuante do Congresso neste sentido, complementando as ações adotadas pela autoridade monetária para garantir a liquidez nos mercados e o acesso ao crédito.

Nesta sexta-feira, o IBGE publicou a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referente ao mês de outubro de 2020, que revelou limites para a recuperação do setor frente aos impactos da pandemia. O volume de serviços prestados apresentou crescimento de 1,7% em outubro em relação a setembro, mantendo uma tendência mais lenta de retomada e registrando a quinta alta mensal consecutiva, acumulando de junho a outubro um aumento de 15,8%. A retomada foi insuficiente para compensar as contrações dos meses anteriores, causadas pela necessidade de adoção de medidas restritivas de distanciamento social.

No comparativo com outubro de 2019, o volume de serviços recuou 7,4% na série sem ajuste sazonal, com influência das quedas nos serviços profissionais, administrativos e complementares (-13,5%), nos transportes e serviços auxiliares aos transportes (-8,2%) e nos serviços prestados às famílias (-30,2%). De fevereiro a maio deste ano, houve queda de 19,8% no volume de serviços prestados, e as altas registradas até então não foram suficientes para compensar essas baixas.

A recuperação mensal registrada em outubro foi acompanhada por quatro das cinco atividades investigadas, com os serviços de informação crescendo 2,6% e acumulando +10,0% no período junho-outubro, após perdas de 8,8% em janeiro-maio. Outros avanços, como o de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+1,5% em outubro) e dos serviços prestados às famílias (+4,6%) acumulam ganhos expressivos entre junho-outubro (de 22,7% e 80,4%, respectivamente), mas ainda não compensaram as fortes perdas causadas pela pandemia, necessitando crescer mais 8,8% e 47,6%, respectivamente, para retornar a patamares de fevereiro.

A média móvel trimestral apresentou crescimento de 2,2%, que se refletiu em resultados positivos em todas as cinco atividades no trimestre encerrado em outubro, mantendo trajetória ascendente iniciada em julho. No acumulado do ano (janeiro a outubro), no entanto, os serviços recuaram 8,7% em comparação ao mesmo período em 2019. As dificuldades do setor foram causadas pela mudança na dinâmica econômica e nos hábitos e comportamento dos indivíduos durante a pandemia. Com isso, os impactos sobre os serviços ainda se mostram duradouros e a recuperação segue lenta.

Os operadores do mercado brasileiro de câmbio também repercutiam o anúncio do relator da PEC Emergencial, senador Márcio Bittar (MDB), sobre o adiamento do parecer sobre o projeto. Segundo Bittar, “a proposta será melhor debatida no ano que vem, tão logo o Congresso nacional retome suas atividades e o momento político se mostre mais adequado.” A expectativa era de que o texto fosse apresentado oficialmente aos parlamentares hoje, entretanto, depois de a prévia disponibilizada aos líderes dos partidos no início da semana ter sido duramente criticada, a formatação do projeto deve ser reconsiderada.

O parecer encaminhado às lideranças do Senado incluía dispositivos na PEC Emergencial que permitiriam flexibilizar o teto de gastos. A medida abriria a possibilidade de ampliar por até um ano as despesas do governo para além da recomposição inflacionária, desde que esses gastos adicionais fossem financiados pela desvinculação de fundos públicos.

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