Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Avanços no desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19 reacendem o otimismo nos mercados

Dólar encerra semana em alta, mas divisa continua a operar em movimento lateral, dentro de faixa estreita

Contrariando o movimento da moeda americana no exterior e o desempenho do Ibovespa, o par real/dólar encerrou em alta diária expressiva de 1,0% na última sexta-feira (17), cotada a R$ 5,382. A alta da sessão, motivada pela demanda mais intensa pela divisa para operações de hedge, acabou definindo a maior parte da variação semanal da taxa de câmbio do real, que avançou 1,1% em relação ao fechamento da semana anterior.

No último mês, o par real/dólar operou com volatilidade acentuada, registrando em média variações diárias de 1,0% (em módulo). Apesar da instabilidade, as cotações da moeda americana têm operado dentro de uma faixa relativamente estreita desde o início de julho: entre as máximas e mínimas no encerramento dos últimos 20 dias, a divisa tem operado no mercado de câmbio à vista entre os R$ 5,30 e R$ 5,40.

O dólar perdeu força ante um conjunto de moedas de economias avançadas na última semana, acompanhando o otimismo dos investidores com o desenvolvimento de tratamentos e de vacinas contra o novo coronavírus. A perspectiva de que o governo americano aprove um novo pacote de medidas de estímulo e atenuação dos impactos da COVID-19 na economia do país antes do recesso parlamentar, que se inicia na primeira semana de agosto, também contribuiu para reduzir a demanda pela divisa pelo motivo de segurança. Na sexta-feira, o dollar index encerrou cotado a 95,89 pontos, em baixa semanal de 0,8%.

Ante uma cesta de moedas de economias emergentes, o dólar manteve-se estável na última semana, conforme o otimismo com os avanços nas pesquisas médicas compensava a cautela nos mercados com o crescimento acelerado no número de infecções por COVID-19 em diversas regiões do mundo. O índice J.P. Morgan de moedas emergentes encerrou a última sexta-feira cotado a 55,09 pontos, sem mudanças em relação ao fechamento da semana anterior.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX Inteligência.

Cenário externo

A semana se iniciou marcada pelo anúncio de resultados de testes promissores das três vacinas em desenvolvimento que já se encontram na fase final de testes clínicos. Em vista da reincidência dos casos de COVID-19 em regiões onde o contágio já havia sido contido, e da curva ainda acentuada de novas infecções, o desenvolvimento de um antígeno e a imunização da maior parte da população mundial são a via mais segura para um retorno à normalidade.

Segundo a empresa alemã de biotecnologia, BioNTech, e a farmacêutica americana, Pfizer, a vacina que desenvolvem em conjunto apresentou, em teste com 60 voluntários, resposta imunológica forte e efeitos adversos transitórios e de intensidade entre leve e moderada, que variaram entre reações tópicas à aplicação da injeção a sintomas gripais, dependendo da dose administrada. Obtendo o aval das autoridades de saúde, as empresas devem iniciar a terceira fase de experimentação da vacina a partir do final de julho, com a testagem realizada em escala global com cerca de 30 mil voluntários. Se os testes finais resultarem na aprovação da vacina, ambas as empresas consideram produzir até 100 milhões de doses ainda neste ano e 1,3 bilhão de doses até o final de 2021.

Em estudo publicado no periódico médico The Lancet, a vacina desenvolvida pela parceria entre a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e a Universidade de Oxford também obteve resultados preliminares positivos de um teste com 1.077 adultos de 18 a 55 anos, com indicação de resposta imunológica forte sem efeitos colaterais consideráveis. Uma única dose da vacina foi capaz elevar o nível de anticorpos neutralizantes do SARS-CoV-2 em 91% dos participantes do estudo após um mês da aplicação; no caso dos participantes que receberam duas doses da vacina esse percentual foi de 100%.       

A vacina desenvolvida por um grupo de cientistas de Wuhan, financiado pelo programa de pesquisa e desenvolvimento do governo chinês, também obteve sucesso em seus testes preliminares, de acordo com artigo publicado no The Lancet nesta segunda-feira (20). Segundo o estudo, a maioria dos 508 voluntários apresentou resposta imunológica significativa após uma aplicação da vacina, sem reações adversas sérias.

Ambas as vacinas de Wuhan e da parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca utilizam variedades enfraquecidas de adenovírus como vetor da proteína “spike” do novo coronavírus. Apesar de ambos os experimentos gerarem resultados positivos, a resposta imunológica ao SARS-CoV-2 foi maior no caso da vacina da Oxford, que utiliza um adenovírus de chimpanzé, para o qual os voluntários não apresentavam imunidade. A vacina de Wuhan, por sua vez, utiliza como vetor um adenovírus humano, que em alguns participantes do teste foi neutralizado antes que pudesse gerar uma reação à proteína do novo coronavírus.

As próximas etapas para o desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19, além de ampliarem a amostra de testes, buscarão avaliar a durabilidade e a efetividade das respostas imunológicas em pessoas de diferentes grupos etários e nacionalidades.  

  Cenário doméstico

Internamente, as atenções também devem estar voltadas para as pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus, com o início dos testes da vacina da empresa chinesa SinoVac em parceria com o Instituto Butantã de São Paulo. Serão testados 9 mil voluntários em 12 centros de pesquisa localizados em São Paulo, Brasília, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul a partir desta terça-feira (21).

De acordo com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a fase de testes será concluída em 90 dias e caso os resultados sejam positivos o Butantã iniciará a produção a partir do início do ano que vem. Além da vacina da SinoVac, a vacina experimental da Universidade de Oxford já está sendo testada no país por meio de parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os resultados promissores para a busca por uma vacina eficaz contra a COVID-19 favoreceram as negociações no Brasil nesta segunda-feira, impulsionando o Ibovespa a alcançar o patamar de 104 mil pontos. A redução na cautela também ajudou a moeda brasileira a recuperar-se, registrando baixa de quase 0,8% na sessão, encerrando cotada a R$ 5,342.

Além dos avanços nas pesquisas e nas estatísticas da pandemia de COVID-19, o mercado deve acompanhar nesta semana as discussões na Câmara dos Deputados acerca da definição do novo Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), e a esperada apresentação da primeira medida da proposta de reforma tributária do governo do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informação antecipada pelo Ministério da Economia, o texto que será apresentado nesta terça-feira sugere a unificação dos impostos federais sobre o consumo (PIS e Cofins) em um tributo de alíquota de 12%. As próximas sugestões do governo, que não serão encaminhadas ao Congresso nesta semana, propõem mudanças no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), diminuição nas alíquotas do Imposto de Renda para pessoa física e jurídica, criação de imposto sobre dividendos e desoneração da folha de pagamento por meio da criação de um imposto sobre transações financeiras, nos moldes da antiga CPMF.

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