Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de grãos.

Uso do óleo de soja para biodiesel perde participação em 2019

Apesar de ainda pequena, participação do óleo de milho tem crescimento expressivo

Em 2019, o Brasil produziu 5,9 milhões de m³ de biodiesel, um crescimento de pouco mais de 10% frente ao registrado em 2018. Cabe lembrar, contudo, que esse aumento ficou aquém do que se esperava anteriormente, uma vez que a entrada em vigor do B11 (mistura de 11% de biodiesel no diesel) sofreu um atraso significativo, passado a valer somente a partir de setembro e não em junho, com previsto após a autorização do aumento da mistura obrigatória até 15% em 2023.

Considerando que o cronograma de aumento da mistura até 2023 vai ser mantido, quando o percentual obrigatório de mistura será de 15%, a produção de biodiesel neste ano deve ficar ao redor de 9,5 milhões de m³.

Essa estimativa de produção está totalmente atrelada ao desempenho da economia, que afeta o consumo de diesel. Dessa forma, o potencial consumo de diesel e de biodiesel por meio da mistura obrigatória ainda pode mudar, caso o crescimento da economia seja muito diverso do que se estima atualmente até 2023.

Mesmo com algumas divergências nas estimativas para o crescimento da produção de biodiesel, as expectativas para o setor são muito positivas, diante da previsão e aumento de 1 p.p. na mistura obrigatória por ano, até 2023. Esse maior consumo do biodiesel impacta diretamente a demanda interna pelo óleo de soja, que continua sendo a principal matéria-prima utilizada.

Por outro lado, destaca-se que a participação do óleo de soja entre as matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel em 2019 caiu pela primeira vez abaixo de 70%, apesar de em termos absolutos o uso do óleo vegetal para esse fim, e consequentemente da soja, tenha crescido.

Em segundo lugar, empatados com 11,4% do total, ficaram a gordura bovina e a categoria outros materiais graxos, cuja composição não é discriminada pela ANP, mas que deve conter quantidade significativa de óleo de soja.

Matérias –primas para biodiesel em 2019 (%)

Fonte: ANP.

Destaque para o óleo de milho, que alcançou uma participação de 1,94% em 2019 entre as matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, contra apenas 0,1% em 2018. Apesar de ainda ser um percentual pequeno, o crescimento foi significativo. O aumento da produção de etanol de milho no Brasil também tem impactado a produção de óleo a partir do cereal, uma vez que várias usinas utilizam tecnologia que extrai o óleo. Além desse crescimento da participação na média do ano, o mês de novembro surpreendeu, pois 22% do biodiesel produzido no país foi feito a partir do óleo de milho, segundo a ANP. Não por coincidência, foram as usinas de biodiesel do Centro-oeste (onde se localiza quase a totalidade da produção de etanol de milho) que utilizaram maiores volume de óleo de milho como matéria-prima em novembro, com o óleo vegetal respondendo por 42% de todas as fontes.

Apesar de o resultado de novembro ter sido um ponto fora da curva, com as excelentes perspectivas para o crescimento da produção de etanol de milho, com muitas usinas extraindo o óleo, a participação como matéria-prima na produção de biodiesel tende a ter espaço para crescer.

De qualquer maneira, o posto de primeiro lugar ocupado pelo óleo de soja não deve ser ameaçado, com o uso da soja para a produção de biodiesel continuando a aumentar. Em 2019, estima-se que 19,4 milhões de toneladas do grão foram esmagadas somente para a produção do biocombustível.

Consumo de soja para biodiesel (milhões de toneladas)

Fonte: Conab e StoneX. *Estimativa. (68% do biodiesel produzido a partir de óleo de soja)

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