Sorriso confirma posição como polo da soja no Brasil

Seguindo rumo ao norte do estado do Mato Grosso, a Expedição Safra chega a Sorriso, o maior município produtor de soja do Brasil, cerca de 2 milhões de toneladas de soja produzidas anualmente. Com mais de 640 mil hectares de cultivo, a cidade se consolida como polo de atração de investimentos e mão de obra.

Inicialmente fomos recebidos por Tiago Stefanello, coordenador do Sindicato Rural de Sorriso e produtor local. Tiago lembra que a safra 2015/16 foi muito ruim na cidade, onde foram registradas perdas decorrentes de seca. Na soja, a quebra passou dos 10% em relação à 2014/15, com rendimento de apenas 49,6 sacas por hectare. No milho, a situação foi pior. Houve quebra de quase 30% frente a 120 sacas por hectare de 2014/15, ficando em apenas 86 sacas na média.

Não obstante, a perspectiva para a safra atual é favorável na visão de Tiago, uma vez que o plantio avançou cedo em 2016/17, oferecendo um bom regime de chuvas e boa janela de plantio para ‘safrinha’. Quase totalidade da área (98%) está plantada. Ele espera rendimentos na casa das 55 sacas para soja e 100 a 110 sacas para o milho no atual ciclo.

Em questão à distribuição das variedades, Tiago estima que 10% da soja do município ainda seja tradicional (não-transgênica), entre 30-40% resistente a lagarta helicoverpa e o restante resistente a glifosato.

A comercialização em Sorriso também se encontra atrasada na média, com cerca de 35% da soja comprometida antecipadamente e 45% do milho ‘safrinha’ na mesma condição. A quebra das duas safras, que levou a uma série de cancelamento de contratos em 2016, deixou os produtores cautelosos. Cerca de 25% dos contratos tiveram de ser cancelados. Sorriso decretou estado de calamidade no ano.

Partindo para o campo, nossa primeira visita é na Fazenda Nova Era, uma propriedade de 530 hectares, tocada por Nodimar (foto à direita) e seu filho. É uma propriedade pequena para os padrões da região, mas que investe em tecnologia para obter uma boa produtividade. Nas últimas safras, o agricultor investiu em uma nova colheitadeira, um novo dispersor, tratores mais modernos e mais estruturas físicas em galpões.

Para essa safra, a adubação foi feita em 3 fases, promovendo uma maior fertilidade do solo e, consequentemente, maior produtividade. Ano passado, com a falta de chuvas, Nodimar teve produtividade média de 50,5 sacas por hectare. Para a safra atual, com as novas aplicações e maquinário mais moderno, ele espera superar as 65 sacas. Toda área destinada à soja será plantada com milho ‘safrinha’.

Em termos de comercialização, metade da soja de verão já foi comprometida com a compra de insumos e para cobrir outros custos, enquanto que o milho ainda não foi comercializado na Fazenda Nova Era.

Alguns quilômetros adiante, chegamos na fazenda Santa Ernestina. Entre duas fazendas, a família possui cerca de 2 mil hectares, também dedicados 100% à soja no verão. Toda transgênica, divida meio a meio entre resistentes apenas a glifosato e a outra metade também resistente à lagarta.

Aqui podemos observar uma fazenda altamente tecnificada, que se utiliza de agricultura de precisão, conta com maquinário moderno, tem uma gestão na comercialização que se utiliza de mercado futuro e análises de preços. Como podemos ver pela imagem (segunda à esquerda), já há até a utilização de drones para monitoramento da lavoura. Apesar de ainda em estágio inicial, os administradores pretendem implantar softwares que permitam a utilização de imagens para análise da cultura.

Ano passado as propriedades sofreram bastante com a estiagem, observando uma quebra de 16% na soja e 31% no milho frente aos números de 2014/15. A expectativa para esse ano é melhor, uma vez que o plantio ocorreu dentro do normal, até 20 dias adiantados em relação à média.

Para safrinha, o agricultor planta 90% de sua área de milho convencional, recebendo por hectare plantado e comprador fixo. O restante é plantado com milho transgênico, em uma área mais afastada. Em termos de comercialização, a Fazenda Santa Ernestina está bastante adiantada, com praticamente 80% de sua soja vendida e “bons patamares”.

De uma maneira geral, encontramos em Sorriso um polo altamente tecnificado da agricultura nacional, com novos investimentos surgindo em máquinas, estruturas físicas e conhecimento. Também são utilizados os mais modernos métodos de adubação e a comercialização é feita de maneira consciente. Não é a toa que essa é considerada por muitos a capital da soja no Brasil.

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