Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de grãos.

Mesmo se houver migração de área importante nos EUA, o balanço do milho ainda tenderia a ficar muito folgado

Com uma área maior de soja, os estoques da oleaginosa podem permanecer na casa de 15 milhões de toneladas

Semanalmente, o USDA divulga seu relatório de acompanhamento da nova safra 2020/21 norte-americana. Até o dia 24/5, 65% e 88% da área destinada à soja e ao milho, respectivamente, já haviam sido semeadas, em um ritmo acelerado ante ao visto em ciclos anteriores, com a média dos últimos 5 anos sendo de 55% e 82%, para a soja e o milho, nesta ordem.

Em meio ao clima favorável às operações em campo, tudo indica que a semeadura norte-americana será concluída dentro da janela ideal de plantio em grande parte do país, o que favorece as expectativas do mercado de bons rendimentos e oferta ampla tanto para a oleaginosa quanto para o cereal. Assim, o USDA estima que 35% da soja e 64% do milho já tenham emergido, contra a média de 27% e 58%, respectivamente. Para o cereal, o USDA já começou a divulgar também o acompanhamento de condições das lavouras, com 70% da área semeada em condições boas/excelente, considerando a média nacional. Apenas 5% do total plantado está em condições consideradas ruins.

Tabela 1: Janelas de plantio EUA – Milho e Soja

Fonte: USDA.

Mesmo assim, o atraso da semeadura em algumas regiões produtoras, com destaque para a Dakota do Norte, já vem sendo monitorado, uma vez que a melhor janela para o milho neste estado está se encerrando, o que poderia motivar uma migração de área para a soja, que tem um período de semeadura um pouco mais tardio.

Considerando a estimativa atual do USDA, de uma área plantada de milho em 39,25 milhões de hectares (97 milhões de acres), projeta-se uma produção recorde em 406,3 milhões de toneladas, com recuperação da produtividade, após as perdas registradas no ciclo 2019/20. Para a soja, a área da safra 20120/21 dos EUA está atualmente em 33,8 milhões de hectares (83,5 milhões de acres), com a produção alcançando 112,3 milhões de toneladas.

Diante dessa perspectiva de recorde de produção de milho e com a demanda para a produção de etanol nos EUA tendo sido fortemente impactada pela pandemia de coronavírus, os preços do cereal ficaram bastante pressionadas em Chicago. Mais recentemente, a reabertura gradual da economia norte-americana tem sido bem recebida, resultando, inclusive, em ganhos nas cotações do milho. Mesmo assim, a perspectiva é de uma oferta muito superior à demanda.

Tabela 2: Balanço de O&D – Milho

Fonte: USDA e  StoneX.

Tabela 3: Balanço de O&D – Soja

Fonte: USDA e  StoneX.

Com isso, ainda existem especulações sobre uma possível migração de área de última hora do milho para a soja, lembrando que a área de 39,25 milhões de hectares para o cereal surpreendeu, vindo pouco mais de 1 milhão de hectares acima do que o mercado esperava, em média. Contudo, é importante destacar que usualmente as trocas de última hora não tendem a ser muito grandes, a não ser que haja algum motivo de força maior, como o clima.

Numa perspectiva de diminuição de 2 milhões de acres na área de milho, ou pouco mais de 800 mil hectares, o que já seria uma variação significativa frente ao número de intenções de plantio, o balanço de oferta e demanda do cereal ainda ficaria muito folgado, com uma produção ainda recorde, em 397,2 milhões de toneladas. Mantendo-se as variáveis de demanda estimadas atualmente pelo USDA para a safra 2020/21, os estoques de milho superariam 75 milhões de toneladas, com uma relação estoque/uso de 20%.

No sentido oposto, considerando-se que a área de soja absorvesse toda essa perda do milho e mais um milhão de acres do algodão, totalizando 35 milhões de hectares, 1,2 milhão de hectares a mais do que o número atual, levantado pelas intenções de plantio (número também bastante agressivo para trocas de última hora), os estoques norte-americanos da safra 2020/21 tenderiam a ficar muito próximos do que se projeta para a safra 2019/20, na casa de 15 milhões de toneladas, não apresentando tendência de queda, mesmo com a perspectiva de avanço nas exportações.

É claro que muita coisa ainda pode mudar e não somente possíveis variações na área plantada. Além do mais, as variáveis de demanda são uma grande dúvida, uma vez que não se sabe até onde vão perdurar os impactos da pandemia de coronavírus, além das novas tensões entre EUA e China, que ainda podem impactar principalmente as exportações norte-americanas de soja.

Em meio a esse cenário, o Brasil está batendo recordes mensais de exportação de soja, no período em que sazonalmente a oleaginosa da América do Sul tem vantagem. No caso do milho, os embarques ainda não começaram a ganhar força, situação que deve mudar no segundo semestre do ano, com a colheita da safrinha. Contudo, por mais que a valorização do dólar em 2020 seja um fator favorável à competitividade brasileira, a possível safra recorde nos EUA alimenta a disponibilidade mundial do cereal, incrementando a competição no mercado exportador.

 

Este texto teve a colaboração de Marina Malzoni, membros da equipe de Inteligência de Mercado da INTL FCStone.

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