João Lopes

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.

China bate recorde de importações de soja na safra 2019/20

e compras de milho avançam no ciclo que está começando

Com os dados de importação de soja da China em setembro, encerrou-se o ano safra 2019/20 das compras externas do país asiático, segundo o USDA.
Além de ser o maior importador da oleaginosa do mundo, com essa temporada marcando uma recuperação da demanda pós peste suína africana e um arrefecimento da guerra comercial dos EUA, as atenções se voltam também ao mercado de milho, com perspectivas de que a China possa, cada vez mais incrementar as compras internacionais do cereal.

SOJA

Em setembro, as importações chinesas de soja atingiram 9,8 milhões de toneladas, com um incremento de 19% em relação ao mesmo mês de 2019 e 1,9% se comparadas a agosto de 2020. As importações de soja pela China aumentaram em setembro, à medida que cargas atrasadas, em sua maioria de origem brasileira, começaram a ser liberadas no mês passado pela alfândega.

Volume de soja importada pela China (em milhões de toneladas)

Fonte: Alfândega chinesa. Elaboração: StoneX.

Assim, as importações chinesas de soja acumuladas no ano-comercial 2019/20 (outubro-setembro) atingiram o recorde de 98,5 milhões de toneladas, volume 19,27% maior do que o registrado em 2018/19. Vale ressaltar, porém, que a queda nas compras da soja no ano safra anterior ocorreu em meio à guerra comercial e à diminuição da demanda pela oleaginosa, em decorrência da peste suína africana, que reduziu o rebanho suíno chinês em cerca de 40% até o final do ano passado. Quando comparado à temporada 2017/18, o aumento foi mais moderado, de 4,6%.

Além da grande variação no volume importado, observou-se uma mudança da participação da soja norte-americana nas importações chinesas. Em 2018/19, no auge da guerra comercial sino-americana, a oleaginosa vinda dos EUA correspondeu a apenas 10% do volume total importado pela China, ante 30% registrados em 2017/18. Já em 2019/20, a participação norte-americana voltou a aumentar, tendo atingido cerca de 18% das importações totais, refletindo o arrefecimento da guerra comercial com a assinatura da Fase 1 do acordo entre os dois países em janeiro deste ano. A participação brasileira, por outro lado, teve uma queda anual de 6 pontos percentuais, como resultado do maior interesse chinês pela soja norte-americana.

Origem das importações chinesas de soja (%)

Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.

As importações da oleaginosa norte-americana pela China devem se intensificar no início da temporada 2020/21, tendo em vista os elevados volumes de compras agendadas que vêm sendo anunciadas pelo USDA, destacando a vigência da fase 1 do acordo comercial e a recomposição de estoques. Além disso, a demanda pela oleaginosa deve permanecer forte no maior importador de soja do mundo devido à rápida recuperação do rebanho de suínos local após o pior da peste suína africana.

MILHO

Em relação ao milho, é importante destacar que apesar da China ser o segundo maior consumidor mundial, o país não é um importador tradicional do cereal. Segundo dados do USDA, durante a safra 2018/19, apenas 1,6% do milho consumido no gigante asiático foi originado de fora do país. A baixa dependência em relação ao mercado externo se deve a uma política de segurança alimentar no mercado de milho.

O governo chinês mantém atualmente uma cota anual de 7,2 milhões de toneladas para a importação do cereal, mesmo volume dos anos anteriores. Essa medida permite, dentro do limite estabelecido, a compra do grão de outros países com tarifas de até 1%, contra 65% sem as cotas.
Contudo, nos últimos anos, a produção no país não tem conseguido acompanhar o aumento da demanda, contribuindo para o recuo dos estoques finais do cereal a cada temporada. Desse modo, o mercado monitora as importações chinesas de milho, apesar de reservas ainda elevadas, uma vez que começam a surgir questionamentos quanto à qualidade do cereal e o próprio volume estocado.

Conforme divulgado pela alfândega chinesa, as importações de milho alcançaram 6,5 milhões de toneladas entre outubro de 2019 e agosto de 2020. Mesmo sem os dados de setembro, mês que se encerra a safra 2019/20, as importações do país já superaram o volume registrado na safra anterior em 13,6%. Segundo dados do USDA, é a primeira vez que as aquisições chinesas superaram o patamar de 6 milhões de toneladas.

Em relação à origem do cereal importado, o grão ucraniano representou mais de 82% das compras do gigante asiático, enquanto o produto norte-americano registrou uma participação de 12%. Na safra anterior, as participações foram de, respectivamente, 87% e 4%. Esse aumento da representatividade dos EUA se relaciona à Fase 1 do acordo comercial sino-americano.

Origem das importações chinesas de milho (%)

Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.

Para a safra atual (2020/21), iniciada em outubro, as expectativas apontam para uma continuidade do movimento de alta nas importações chinesas. Recentemente, o país asiático teve suas plantações de milho atingidas por tufões, gerando receios sobre a produção do país. Além disso, após os impactos provocados pela Peste Suína Africana, a China está em franca recuperação da produção de carnes, além da profissionalização do segmento, com a substituição dos restos de comida na alimentação animal.

Até o dia 08 de outubro, as vendas de milho norte-americano referentes à safra 2020/21 para a China já haviam ultrapassado 10 milhões de toneladas, superando o total importado pelo gigante asiático na safra 2019/20 e a cota anual chinesa. Assim, há grande expectativa sobre o que vai ocorrer nos próximo ano, sendo possível o registro de cancelamentos ou rolagens dos negócios para as próximas temporadas, mas também se espera que a China possa ajustar suas cotas, uma vez que os volume atual de 7,2 milhões de toneladas se refere ao ano calendário, de janeiro a dezembro.

Este texto teve a colaboração de Ana Luiza Lodi e Luigi Bezzon, membros da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil.

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