Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Aumento da mistura de biodiesel vai puxar consumo de óleo de soja

B11 vai entrar em vigor em setembro

Na última terça-feira (06), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a elevação do percentual de biodiesel no diesel de 10% para 11%, após novos testes garantirem a segurança desse aumento. Com isso, o B11 está previsto para entrar em vigor a partir de setembro.

No Brasil, apesar de existir a possibilidade de se utilizar percentuais de biodiesel acima da mistura obrigatória, no chamado mercado autorizativo/voluntário (específico para alguns setores, como frotas rodoviárias cativas, atendidas por ponto de abastecimento), quase todo o consumo do biocombustível decorre da parcela obrigatória.

De qualquer maneira, mesmo considerando-se somente a mistura obrigatória, a previsão de se chegar o B15 em 2023 deve elevar o consumo de biodiesel para acima de 9 bilhões de litros por ano, lembrando que essa demanda está totalmente atrelada ao desempenho da economia, que afeta o consumo de diesel. Caso o Brasil registre taxas de crescimento mais elevadas do que as previstas atualmente nos próximos 4 anos, o consumo de biodiesel, por meio da mistura no diesel, pode ser até maior.

Em relação às matérias primas utilizadas para a produção do biocombustível, o óleo de soja deve continuar predominante, mesmo com o potencial de uso de outros óleos/gorduras. Em 2018, 70% do biodiesel produzido no país teve como matéria prima o óleo de soja. Entretanto, destaca-se que esse percentual pode ter sido ainda maior, pois existe a categoria ‘Outros Materiais Graxos’, definida pela ANP como “mistura de matérias-primas tradicionais em tanque e reprocessamento de subprodutos gerados na produção de biodiesel”, sem dar maiores detalhes.

Considerando somente os 70% designados como óleo de soja e que esse percentual vai se manter até a entrada em vigor do B15, em 2023, a demanda de soja somente para a produção de biodiesel superaria 30 milhões de toneladas, enquanto o estimado para 2019 ficou em 19,6 milhões de toneladas. Cabe destacar que ao considerar um percentual de uso de óleo de soja em 80%, como estimado por algumas instituições do setor, o consumo de soja somente para atender a produção de biocombustível superaria 35 milhões de toneladas.

Independentemente de diferenças nas estimativas, o aumento da mistura de biodiesel no diesel tem grande potencial para reforçar o consumo interno de óleo de soja (com as exportações já perdendo espaço desde a década passada) e, consequentemente, de soja para ser esmagada.

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