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Argentina aponta para mudança estrutural no Mercosul

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Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura da Argentina (Minagri) continuam apontando para mudanças importantes nos destinos das exportações de trigo do país. Nos primeiros oito meses da safra 2016/17,  cerca de 3,37 milhões de toneladas do cereal argentino foram exportados para o Brasil. Isso representa cerca de 35% das vendas totais do período. O share atual do mercado brasileiro é uma redução frente aos 45% observados no ciclo 2015/17. Com isso, o total está significativamente abaixo do patamar de 80% registrado entre os anos 2012 e 2015.

Dois principais fatores justificam o menor foco no mercado brasileiro. A retomada do plantio e da produção na Argentina, e a reentrada do produto em diversos mercados asiáticos e africanos. Ambos estão estritamente ligados ao fim das retenciones, um imposto de 23% que vigorava sobre todas as exportações de trigo.

Fim das retenciones

A abolição do imposto ocorreu em dezembro de 2015, com o recém-chegado presidente Maurício Macri concretizando uma de suas promessas eleitorais. A safra 2015/16 (dezembro – novembro) viu suas exportações serem favorecidas pela medida. Porém, não houve forte aumento na área plantada dado que o plantio já havia sido realizado em junho e julho. O fim das retenciones somente conseguiu impactar a decisão de plantio no ano passado. A medida impulsionou a produção de volta aos níveis de 2011/12 e ampliou a competitividade pela pressão exercida sobre os preços.

A participação do Brasil nas exportações caiu nas duas últimas safras. Entre os ciclos 2014/15 e 2015/16 o share saiu de 86% para 45%, sem ocorrer um aumento da produção argentina. Esta exportação para outros mercados deveu-se principalmente pela maior competição promovida pelo fim do imposto. Naquele momento, houve grande comercialização dos estoques. Já no ciclo atual, a participação caiu ainda mais, ficando próxima de 35%. Além da ausência do imposto, também houve aumento da oferta, o que garantiu condições para o suprimento da demanda asiática e africana a preços bastante competitivos.

O movimento atualmente observado é de extrema importância. Recolocando-se como um grande exportador de trigo, a Argentina passa a atuar como um agente global dentro do Mercosul. Com isso, as cotações da região não descolam do patamar observado nos leilões internacionais (como recorrentemente ocorreu nos últimos anos).

Apesar de este cenário apontar para preços mais restringidos no Mercosul, ainda existem diversos desafios. O principal é o clima da região. Tanto o Brasil quanto a Argentina sofrem com instabilidade da umidade e ocorrência de geadas. Será necessário observar se quedas de rendimento por fenômenos climáticos serão suficiente para desanimar os triticultores argentinos, o que não parece provável no momento.

Matéria escrita por João Macedo, colaborador INTL FCStone até janeiro de 2019.

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