Apesar do embargo entre Rússia e Ucrânia, exportações de trigo russo podem não ser prejudicadas no longo prazo

No dia 29 de dezembro do ano recém encerrado, a Rússia embargou a Ucrânia sob acusação de invasão territorial, após três navios de guerra ucranianos terem circulado na região da Crimeia – foco de disputa entre ambos países. A Ucrânia, em contrapartida, embargou a Rússia sob alegação de agressão contra seu Estado. Entre os produtos proibidos de serem comercializados, está o trigo, grão de grande importância na pauta de exportação de ambos países.

Para o mercado internacional, essa tensão, em um primeiro momento, pode impulsionar o preço do grão. Mas no longo prazo, não deve ter grandes efeitos para as exportações russas de trigo, uma vez que os portos de maior importância para o escoamento do cereal – como Odessa e Novorossisk – não estão localizados na região em comum entre ambos países, como ilustra o mapa 1.

Ademais, a Ucrânia não é uma grande importadora do trigo da Rússia, de forma que a queda nas exportações de grão russo para o país vizinho pode ser facilmente compensada por outros países (ver gráfico 1).

Essa preocupação do mercado a respeito das exportações russas é uma escalada do que aconteceu em 2018, quando, no segundo semestre, as secas no Mar Negro provocaram uma quebra de safra, que preocupou o mercado sobre se o presidente Putin colocaria limite de exportação, o que acabou não se concretizando.

Em 2019, as possibilidades de quebra de safra são baixas uma vez que as previsões climáticas indicam que haverá cobertura de neve, contribuindo para o bom desenvolvimento da safra (vide mapa 2). Contudo, as condições na primavera também serão de grande importância para determinar o rendimento da nova safra no país.

Diante dessas perspectivas, apesar do embargo da Ucrânia após o conflito no estreito de Querche não ter grande impacto sobre a exportação de trigo russo, a quebra de safra tem reduzido o excedente exportável. Isso é bastante favorável para a Argentina, que  está tendo uma boa safra e pode ter suas exportações impulsionadas pelo recuo das vendas da Rússia.

Ademais, outro fator para ser considerado, é se haverá ou não formação da cobertura de neve para a safra 2019/20, pois se a cobertura não for suficientemente formada e espessa, as lavouras ficam expostas à winterkill, o que pode reduzir a oferta e contribuir ainda mais para a demanda internacional por trigo argentino.

Matéria escrita por Isabela Mendes, colaboradora INTL FCStone até abril de 2019.

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