Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

A evolução do consumo mundial de soja

Quem foram os principais consumidores do grão ao longo das últimas décadas?

As estimativas apontam para um crescimento acelerado da população mundial nos próximos anos à medida que as condições de vida melhoram devido a medidas como saneamento básico e atenção à saúde.

A maior parte desse aumento deve ficar concentrado nos continentes asiático e africano, que já respondem pela maior parte da população mundial atualmente. Esses dois continentes ainda têm grande espaço para melhorar as condições de vida de suas populações.

Esse cenário demandará cada vez mais alimentos, cuja produção precisará ser feita de forma mais eficiente.

Além do aumento da população, o crescimento econômico somado ao aumento da renda das pessoas altera os hábitos alimentares, promovendo o consumo de alimentos.

Uma renda mais elevada está relacionada ao consumo de alimentos mais variados, de maior valor agregado e maior teor de proteína.
Os continentes asiático e africano, que concentram a maior parte da população mundial, ainda têm muito espaço para sofrer mudanças de hábitos alimentares através deste processo.

Junto ao aumento do consumo de proteínas, aumenta também a demanda por grãos, tanto para utilização como ração animal quanto para extração de óleos vegetais, necessários ao preparo dos alimentos.

A China, que é o país mais populoso do mundo, puxa o consumo mundial de soja, com importações anuais que já chegaram perto de 100 milhões de toneladas por ano.

O país vem passando por grandes mudanças estruturais nos hábitos alimentares de sua população, em um processo intimamente relacionado ao aumento da renda da população. Essa população está se tornando cada vez mais urbana.

Essas mudanças ainda estão longe do fim, uma vez que o consumo per capita de carnes ainda é baixo em comparação aos países desenvolvidos e a renda das pessoas tem grande espaço para crescer.

Com isso, a importação chinesa de grãos e cereais deverá continuar sendo crescente ao longo da próxima década, já que a produção doméstica não deverá ter condições para uma expansão que atenda a todo o crescimento de sua demanda.

A perspectiva de demanda global por carne nos próximos anos é promissora, conforme os hábitos alimentares mudam para um consumo maior de proteína em um processo contínuo e inevitável promovido pelo crescimento econômico e populacional na China e na Índia, cada um com mais de 1 bilhão de pessoas.

Estudos recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetam aumento de impressionantes 22% no consumo global de carne de aves, suínos e bovinos ao decorrer da próxima década.

Esse aumento levanta a seguinte questão para os mercados de commodities agrícolas: de onde virá a produção de grãos necessária para atender ao crescente rebanho global?

Veja também uma animação sobre a evolução da produção mundial de soja, aqui.

Este texto teve a colaboração de Renato Rasmussen, membros da equipe de Inteligência de Mercado da INTL FCStone.
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