Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Produtividade aquém do esperado e menor disponibilidade de crédito rural podem impactar compras de fertilizantes no 2º semestre

Menor capitalização do produtor pode desestimular aquisição de adubos para soja

Conforme adentramos o final do primeiro trimestre de 2019 a atenção dos agricultores brasileiros permanece na finalização da colheita da safra de soja e nas etapas de desenvolvimento reprodutivo das culturas de inverno, como milho safrinha e algodão. Deste modo, a indústria de fertilizantes se atenta ao sentimento dentre os produtores, visando identificar tendências para o ciclo 2019/20.

Perspectivas climáticas favoráveis, aliadas ao fortalecimento das exportações brasileiras ante o contexto da guerra comercial sino-americana, e, consequentemente, um melhor rendimento do sojicultor do Brasil, corroboraram para um forte sentimento otimista entre agricultores nacionais no período de tomada de decisão de plantio da safra 2018/19. As condições conjunturais entre setembro e novembro então favoreceram um adiantamento do processo de plantio e uma expansão da área da soja, impactando positivamente o volume de fertilizantes consumido no segundo semestre do ano passado.

Iniciada a colheita da safra 2018/19, também antecipada em relação a anos precedentes, o observado, no entanto, foram indícios de níveis de produtividade abaixo do esperado anteriormente. A escassez de chuvas se destacou como principal fator de impacto aos rendimentos das lavouras, com precipitação aquém do normal em alguns estados produtores para a estação de chuvas brasileiras.

De acordo com a mais recente estimativa de safra da INTL FCStone, a produção da oleaginosa em 18/19 deve totalizar 113 milhões de toneladas, representando um recuo de 5,2% ante os resultados da safra 17/18. O excedente exportável brasileiro também deve se mostrar menor, levando a uma estimativa de 68,70 milhões de toneladas em exportações.

Não obstante, os sojicultores brasileiros se aproveitaram da conjuntura favorável no último ano para comercializarem parcela considerável de sua safra. De acordo com nossos dados, no início de 2019, cerca de 36% da produção já havia sido negociada, permanecendo acima do patamar registrado no ano precedente.

Diante da possibilidade de rendimentos financeiros abaixo do observado pelos produtores nacionais em 2018, a conjuntura para o segundo semestre dependerá também do volume de crédito rural disponibilizado. Conforme mencionamos anteriormente, a perspectiva é de que haja uma redução nos montantes ofertados pelo governo federal, em virtude de um corte do orçamento governamental.

Ao nos aproximarmos do segundo semestre, os resultados de 18/19 começarão a se tornar fator de pressão sobre as decisões de aquisição de fertilizantes para o ciclo 19/20. O nível de capitalização dos produtores, composto por recursos próprios e crédito rural, influenciará o tom do mercado dos adubos. Ademais, a relação de troca dos principais insumos (MAP e KCL), com a soja continua fortalecida neste início de 2019, podendo desestimular a compra de potássicos e fosfatados caso a RT permaneça em sua trajetória ascendente.

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