Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Inundações nos EUA devem provocar atraso na demanda por fertilizantes

Mudança na participação da área plantada das culturas de soja e milho podem afetar o mix de fertilizantes

As perspectivas para as condições climáticas nos Estados Unidos durante a primavera, recém divulgadas pela Agência Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), apresentam um cenário preocupante para o mercado de grãos e, consequentemente, para o mercado de fertilizantes como um todo, dado a significativa parcela da demanda global que a região representa. Atualmente, a região atravessa uma combinação danosa: incidência de chuvas de primavera acima da média, aliadas com acelerado degelo – o qual deve se apresentar em grande volume, dado o inverno rigoroso observado no país e precipitações de neve ao fim da temporada.

Segundo o NOAA, quase dois terços dos estados norte-americanos enfrentam chances de inundação até maio, dos quais, cerca de 25 apresentam chances de moderadas a altas – os pontos mais críticos estão localizados na porção leste de Nebraska e oeste de Iowa. Ao longo das áreas mais afetadas do país, não somente os estoques de grãos foram impactados, mas também as estruturas físicas e maquinários destinado à produção, e estima-se que cerca de 100 mil acres de milho em Iowa já tenham sido impactados pelas inundações nas últimas semanas.

De acordo com as janelas de plantio do milho e da soja dos EUA (vide tabela 1), as semeaduras deveriam se iniciar a partir de meados de abril para a primeira cultura, e algumas semanas depois para a segunda, todavia, antes mesmo do início das inundações já era sabido que o plantio do milho seria atrasado – dado o prolongamento das áreas congeladas. Ainda, há expectativas de que parcela da área destinada originalmente à semeadura da soja migre para a cultura do milho, e tal alteração pode provocar modificações direta na participação de cada fertilizante no consumo geral.

A cultura da soja, cujas expectativas de plantio indicavam evasão a outras culturas – principalmente o milho – é forte demandante de potássicos e fosfatados, ao passo que a adubação do milho é rica em nitrogenados – o preparo do solo no cultivo do milho norte-americano é um dos fatores que contribuem  para os reconhecidos elevados níveis de produtividade da cultura no país, cujas aplicações ocorrem cinco a seis vezes por temporada. Todavia, os agentes do mercado aguardam a liberação dos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) – de intenção de plantio dos agricultores locais–, a serem divulgados amanhã, a fim de confirmar os indicativos da safra 2019/20.

As inundações no Meio-Oeste além de atrasar o adubo do solo, dado as condições impróprias de elevada umidade, também acarretam em entraves logísticos na estrega dos fertilizantes. Os agentes atuantes na região de Nova Orleans têm enfrentado problemas no carregamento das cargas, de modo que os atrasos nas entregas atuam como fator adicional na postergação do plantio. Os dados da média de 5 anos (vide gráfico 1) indicam que as importações de fertilizantes dos EUA historicamente apresentam seu pico ao longo dos meses de março e abril, todavia, na atual temporada, o ritmo de chegada de cargas vem apresentando maior lentidão, em função dos motivos acima citados.

Assim, maiores atrasos nas compras dos agentes podem acentuar os gargalos logísticos da região, devido ao impacto nas principais vias de navegação. Espera-se que haja um aquecimento na demanda por barcaças no Rio Mississipi, importante via para os produtores locais, em função do acúmulo das compras represadas. Ademais, as cotações dos principais fertilizantes devem se fortalecer, primeiramente nos derivativos de Nova Orleans, com posteriores reflexos no mercado físico. Portanto, estabelece-se a perspectiva de suporte nos preços dos nitrogenados, principalmente na área do milho. Quanto aos fosfatados — utilizados em ambas lavouras de milho e soja —, a retomada dos players do mercado indiano, no segundo trimestre, também deve impactar na retomada dos preços.

Co-escrito por

Jaine Gomes Jaíne Gomes

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