Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Petróleo avança com progresso nas negociações da guerra comercial, paralisação de campo saudita e eleições na Nigéria    

O petróleo continuou sua sequência de alta na sexta-feira, impulsionado pelo progresso nas negociações comerciais entre os EUA e a China, além de problemas na produção na Arábia Saudita e ameaças de grupos militantes na Nigéria. Os primeiros contratos do Brent e do WTI avançaram 2,60% e 2,17%, respectivamente, e fecharam a USD 66,25/bbl e USD 55,59/bbl.

A delegação americana retornou de Pequim após mais uma rodada de negociações comerciais com os chineses. O presidente Donald Trump publicou no Twitter que “grande progresso está sendo feito em diversas frentes”. As delegações voltarão a se encontrar em Washington nesta semana. A trégua da guerra comercial se encerra no dia 1º de março, a partir de quando os EUA devem subir de 10% para 25% as tarifas sobre produtos chineses. Os americanos, contudo, já confirmaram que podem atrasar as novas tarifas caso progresso esteja sendo realizado nas negociações.

A aproximação das eleições na Nigéria também deu suporte às cotações, com o grupo militante Niger Delta Avengers divulgando ameaças. O grupo se opõe ao atual presidente, Muhammadu Buhari, que busca  reeleição. Em 2016, o grupo realizou ataques a oleodutos e outras instalações, causando interrupções na oferta de petróleo do país. As eleições, que eram para acontecer durante o fim de semana, foram adiadas para o próximo, feito que foi aprovado pelos observadores internacionais, visto que cédulas de votação não chegaram em diversas regiões do país a tempo da votação.

Na Arábia Saudita, a estatal Saudi Aramco paralisou parcialmente o campo de Safaniya, após um cabo de eletricidade submarino ter sido cortado pela âncora de um navio. A paralisação começou há duas semanas. Rumores sobre o ocorrido já circulavam desde quarta-feira, porém a confirmação de uma segunda fonte na sexta-feira deu suporte aos preços. A Aramco, em comunicado, disse somente que suas instalações se encontram normais. A fonte também afirmou que os reparos estão sendo realizados e a situação se encontra “sobre controle”. Não se tem uma estimativa de quando o problema será sanado. Safaniya é o maior campo offshore do mundo, com capacidade de produção de 1,2 mbpd.

A notícia da Arábia Saudita foi recebida de maneira altista, porém deve se considerar que o país já estimava uma redução da sua oferta de petróleo, em março, para além de sua cota no acordo da OPEP+. É possível que essa estimativa de redução seja consequência da paralisação do campo Safaniya, de modo que seria algo pontual, que pode não se repetir nos meses seguintes.

Outro ponto de destaque é que o petróleo produzido em Safaniya é pesado. Assim, a paralisação do campo resulta numa retirada ainda maior de petróleo pesado do mercado internacional. A oferta dessa variedade já é limitada pelas sanções contra a Venezuela e o Irã, e os cortes de produção no Canadá. Assim, a paralisação na Arábia Saudita pode dar mais suporte ao crack-spread dos destilados médios. Na Europa, o crack-spread do gasóleo com o Brent avançou 67 pontos na sexta-feira, para USD 15,90/bbl. Nos EUA, o spread do diesel ULSD-WTI avançou 88 pontos, para USD 28,72/bbl.

O crack da gasolina também permanece em ritmo de recuperação, reagindo à forte redução na taxa de utilização de capacidade das refinarias na semana passada. O crack RBOB-WTI já atinge USD 17,02/bbl, após avançar 109 pontos na sexta-feira. O RBOB-Brent avançou 60 pontos e fechou a semana a USD 6,75/bbl.

Hoje (18) é feriado nos EUA (President’s Day), de modo que a NYMEX estará fechada das 15h às 20h. A liquidez dos mercados de energia será limitada durante o horário de funcionamento.

Brasil: Petrobras sobe preço do diesel; prêmio permanece baixo

No Brasil, a Petrobras voltou a reajustar o preço do diesel às distribuidoras, para uma média de R$ 2,0505/L (sem tributos), alta de 2,5% em relação ao preço anterior. Apesar do ajuste positivo, o prêmio em relação ao diesel na Costa do Golfo dos EUA segue abaixo da média praticada desde o término da política de subvenção, indo para R$ 0,119/L (contra uma média de R$ 0,171/L). O prêmio em relação ao primeiro contrato do ULSD NY Harbor também é menor que a média, de R$ 0,075/L (contra R$ 0,121/L).

Baker Hughes: EUA tiveram três novas perfuratrizes em operação na semana

Segundo os dados da Baker Hughes, um total de 857 perfuratrizes se encontravam operacionais nos EUA na sexta-feira, três a mais que na semana anterior. A média das últimas semanas ainda indica que os produtores americanos estão reduzindo seu investimento, reagindo à recente dos preços. A redução dos investimentos, contudo, está sendo feita de maneira mais lenta que o esperado, de modo que a produção americana pode continuar a crescer em ritmo mais rápido que o projetado e precificado recentemente.

COT: fundos continuam a aumentar aposta altista no petróleo

Segundo o boletim de Commitment of Traders (COT) da ICE Europe, os especuladores aumentaram mais uma vez sua aposta altista nos futuros e opções do petróleo Brent. Entre 05/02 e 12/02, os fundos ampliaram sua posição comprada em 28.701 lotes no Brent, para 323.851. A posição vendida, por sua vez, foi reduzida em 3.361 lotes, para 57.794. Dessa maneira, o saldo comprado dos especuladores subiu 32.062 lotes, para 266.057, maior desde o início de novembro do ano passado.

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