Marina Malzoni

Marina Malzoni

Formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e mestranda em Economia Agrícola pela University of Alberta. Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de milho e pecuária.

Apesar das suspensões do último mês, o fator China segue sustentando o mercado do boi gordo

Gigante asiático aumenta o seu volume de importação em julho e um novo recorde para o preço da arroba do boi gordo pode estar mais próximo

O ritmo dos embarques brasileiros de carne bovina tem sido o grande destaque de 2020. Dando sequência aos eventos de Peste Suína Africana (PSA), o apetite de compra chinês continuou aquecido. Apesar das dúvidas e temores recentes pelas importações do país asiático, o mês de julho encerrou com os embarques totalizando 169 mil toneladas, avanço mensal de 11%.

O temor ganhou força diante das suspensões da habilitação de exportação de alguns frigoríficos, tanto brasileiros quanto de outros parceiros comerciais da China, em meio aos casos da Covid-19 entre funcionários das indústrias. Mesmo assim, apesar das dúvidas, a China aumentou as suas importações de carne bovina brasileira em 12,6% no mês de julho.

Por mais que o volume importado pela China seja crescente, alguns dos demais players liderando as importações de carne bovina do Brasil têm diminuído o apetite de compra.

Evolução das importações chinesas de carne bovina do Brasil (mil toneladas)

Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX Inteligência

Dentre eles, os Emirados Árabes é destaque, o qual retraiu o seu volume de importação em mais de 60% no comparativo entre o acumulado de 2020 e 2019.

Além disso, o ritmo de recuperação dos plantéis de suínos na China também traz, no horizonte, uma preocupação para a evolução das exportações brasileiras ao longo dos próximos anos, com a China investindo na retomada de seu rebanho de matrizes para a suinocultura em 2020. Mesmo assim, a produção de porcos do país ainda dependerá muito dos focos de PSA, que ainda são recorrentes não só na Ásia, como também na Europa. Neste sentido, inundações ao sul da China impactam a atividade agropecuária da região, podendo também estar associada a um possível aumento na infestação da PSA.

Mesmo que a tendência aponte para uma recuperação na produção pecuária chinesa, principalmente ao final de 2021, tal movimento deverá ser acompanhado de perto, tendo em vista que os focos da doença ainda não estão totalmente controlados.

Ainda assim, o avanço dos embarques à China, que já atingem 156% no comparativo anual, sustentam o mercado do boi gordo, mas tal dependência se torna cada vez mais preocupante diante da possibilidade de novas suspensões e renegociações de contratos de exportação.

Variação das exportações de carne bovina no acumulado de 2020 frente a 2019

Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX Inteligência

Além do mais, dando sequência ao visto no mês de junho, o preço pago pela China pela carne bovina brasileira continuou em queda, encerrando o mês de julho com uma média de US$ 4,31/kg, desvalorização mensal próxima a 10%. No entanto, levando em consideração a questão cambial, a queda no comparativo com o preço médio de junho, em real, foi de 8%. Após atingir máximas de R$ 25,36/kg e R$ 27,62/kg em abr20 e mai20, nesta ordem, a carne bovina ofertada para o gigante já desvaloriza no período recente.

No entanto, vale ponderar que em relação ao mesmo período de 2019, o preço pago pela China em jul/20, na conversão para o real, está cerca de 14% mais caro. Diante deste contexto de exportações aquecidas, o mercado do boi gordo seguiu sustentado ao longo do mês de julho, com novas ofertas de preços acima da referência e com o boi china já alcançando a marca de R$ 230.

Preço pago pela carne bovina do Brasil pela China (US$/kg)

Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX Inteligência

Daqui para a frente, a evolução do consumo doméstico será o grande balizador para o rumo das cotações. Caso o consumidor final absorva as altas vistas no preço da carne bovina no mercado atacadista, o valor pago pela arroba poderá romper o teto de R$ 230. Tudo irá depender de uma possível recuperação econômica e também do tamanho da oferta de animais terminados no mercado ao longo dos próximos meses, em meio à proximidade com a saída dos animais do segundo giro do confinamento.

 

 

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