João Lopes

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.

Apesar da redução nas compras de carne bovina por 7 dos 10 principais importadores, embarques brasileiros cresceram em 2020.

No mês de outubro, o Brasil embarcou 162,7 mil toneladas de carne bovina, o que representa um avanço de 14,3% no comparativo mensal, mas um recuo de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar dos embarques no mês apresentarem uma queda em comparação às exportações ocorridas em outubro de 2019, de modo geral, o fluxo de carne bovina para o mercado externo em praticamente todos os meses de 2020 (exceto fevereiro) foi mais elevado que o observado nos respectivos meses do ano passado. Entre janeiro e outubro, já foram exportadas 1,4 milhão de toneladas de carne bovina, volume 11,8% acima do observado no mesmo período do ano anterior e 37,9% acima da média de 5 anos para o mesmo intervalo.

Brasil | Evolução das exportações de carne bovina (mil toneladas)

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

Um dos fatores que vem contribuindo para o bom desempenho das exportações nacionais de carne bovina é a questão cambial. O dólar encerrou o mês de outubro negociado a R$ 5,74, acumulando uma valorização de 42,4% no ano. Ao passo que os preços da carne bovina avançaram significativamente nos últimos meses, a forte desvalorização do real frente à moeda norte-americana tem favorecido a competitividade dos produtos brasileiros em 2020.  Segundo dados do CEPEA, a cotação média do boi casado no atacado da grande São Paulo chegou a R$ 17,35/kg no último mês, avanço de 53,5% em comparação com outubro de 2019. No mesmo período, o preço médio (FOB) recebido pela exportação da proteína recuou 5,0%, para US$ 4.244/tonelada.

Brasil | Evolução do preço médio (FOB) da carne bovina exportada (US$/tonelada)

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

Outra questão que foi fundamental para o elevado volume exportado de carne bovina é a grande demanda da China por proteínas importadas. A partir do final de 2018, o país passou a sofrer com uma crise sanitária, provocada pela disseminação da Peste Suína Africana (PSA) entre os rebanhos chineses, varrendo fazendas em todo seu território. Com a forte queda na produção chinesa de carne de porco, o gigante asiático foi obrigado a recorrer ao mercado externo para garantir o abastecimento de seu mercado doméstico. Entre janeiro e outubro de 2020, foram embarcadas 684,6 mil toneladas com destino à China. Deste modo, exportou 106,8% a mais que o registrado no mesmo período de 2019.

Além do crescimento no volume negociado com o país asiático, a quantidade adquirida por 7 dos 10 principais importadores do produto brasileiro recuou em comparação com o ano anterior, o que contribuiu para o aumento da participação chinesa nos embarques do país sul-americano. Nos primeiros 10 meses de 2020, 48,4% dos embarques de carne bovina do Brasil tiveram como destino a China, contra 26,2% no mesmo período de 2019.

Na última segunda-feira (09/nov), o MDIC divulgou seu relatório de exportações semanais, trazendo um forte volume embarcado de carne bovina na primeira semana de novembro. Até o dia 06 de novembro, o país exportou 42,0 mil toneladas de carne bovina. Caso o ritmo médio de embarques observado nessa primeira semana seja mantido (10,5 mil toneladas/dia útil), as exportações do país ultrapassariam as 210 mil toneladas, renovando a máxima histórica.

Brasil | Principais destinos dos embarques de carne bovina (mil toneladas)

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

Apesar do bom desempenho observado neste início de mês, a continuidade do forte ritmo das exportações observado até então começa a ser um motivo de receio para os agentes. Segundo os dados mais recentes trazidos pelo Boletim Focus, divulgado em 09/nov, o dólar deverá recuar para R$ 5,20 em 2021 e para R$ 5,00 em 2022. Assim, começa-se a questionar qual seria o impacto de uma valorização do real – que reduziria a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional – nas exportações de carne bovina no longo prazo.

Outro fator de atenção para os   players é em relação à recuperação do rebanho chinês. Com um aumento da produção do gigante asiático, as importações de proteína animal do país tendem a reduzir, o que pode prejudicar as exportações de carne bovina do Brasil. Por outro lado, o impacto não deverá, no curto prazo, afetar as compras do país asiático de maneira tão intensa, visto que os patamares registrados antes da crise sanitária não deverão ser alcançados tão cedo.

 

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