Jaine Gomes

Jaine Gomes

Graduanda em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2019 nos mercados de Energia, Fertilizantes e Cacau.

Cobertura das posições vendidas dão suporte ao cacau

Os contratos futuros do cacau registraram mais uma semana de elevação, dando continuidade à tendência de alta que se desenha desde finais de agosto. Em Nova York (ICE), a segunda tela com vencimento mais próximo, a de março/20, encerrou a semana a USD 2.491/tonelada, com pequena ampliação de 0,5% no período. Em Londres (ICE Europe), o contrato equivalente valorizou-se 1,8%, para USD 1.880/tonelada.

A cobertura das posições vendidas tem auxiliado na alta das cotações. Os dados divulgados pelo boletim COT do CFTC indicam a terceira semana consecutiva de retração nas posições vendidas dos agentes não comerciais, de modo que a posição líquida dos agentes verificou incremento de 14.249 lotes na última semana, alcançando uma posição liquidamente vendida de 11.453 lotes na terça-feira (24). De maneira geral, verifica-se uma tendência de inversão na aposta dos fundos especulativos (mais detalhes na próxima matéria).

Ademais, as movimentações nos preços da commodity também estiveram atreladas às variações do par libra/dólar – moedas nas quais os dois principais contratos do cacau (Nova York e Londres) são denominados. Perdendo a força observada nas semanas precedentes, a libra voltou a recuar na semana passada. A divisa perde dinamismo diante da morosidade nas negociações dos termos do Brexit, reacendendo os receios quanto a uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia.

O enfraquecimento da libra (-1,5%) impulsiona a compra de títulos do cacau em Londres a fim de manter relativamente estável a arbitragem entre as praças, neste sentido, houve avanço mais acentuado nos preços da praça europeia do que na americana.

Fundos especulativos desenham inversão na aposta de mercado

No mais recente relatório COT divulgado pelo CFTC na última sexta-feira (27), os agentes não comerciais e não reportáveis que operam na ICE – NY possuíam uma posição vendida de 58.216 lotes em contratos futuros de cacau. Ao mesmo tempo, a posição comprada destes agentes somava 49.193 lotes.

Deste modo, o balanço de ambas posições configura uma posição liquidamente vendida de 9.023 lotes, que apesar de ainda ser bearish reflete um redirecionamento nas apostas dos fundos especulativos. Desde o mais recente fosso no saldo das posições, em 03 de setembro, quando alcançou saldo vendido de 34.291 lotes, os especuladores já reduziram este balanço em 74% (para os atuais 9.023 lotes).

Tal variação tem impacto significativo sobre as cotações do cacau. A redução da aposta de baixa contribuiu com as valorizações da commodity nas semanas recentes: entre 03 e 27 de setembro, o contrato do cacau em Nova York valorizou-se 11%.

O redirecionamento para uma aposta de alta baseia-se sobre alguns fundamentos de oferta e demanda. O primeiro deles diz respeito às expectativas de um déficit para a safra 2019/20 (em pesquisa realizada pela Reuters, a mediana das expectativas dos agentes de mercado sinaliza um déficit de 80 mil toneladas para a próxima temporada), além disso destaca-se o envelhecimento natural dos cacaueiros após um período de lacuna de investimentos; há redução na área plantada em função da concorrência com outras culturas, a exemplo da Indonésia, país que verifica troca de cacaueiros por palma – cuja produção remunera melhor; e as recentes políticas de preços desenvolvidas pelos dois maiores ofertantes globais, Costa do Marfim e Gana, que podem fornecer um piso às cotações.

Expectativa de aumento dos preços mínimos gera represamento de cacau na Costa do Marfim

A safra internacional de cacau inicia-se amanhã (01º de outubro), e a definição do preço mínimo garantido ao produtor é um tema que detém a atenção do mercado. O piso de preços é garantido pelo Conselho do Cacau e Café (CCC) da Costa do Marfim, e atualmente é de 750 francos CFA por quilo (cerca de USD 1.300/t).

A expectativa de elevação do preço mínimo para 825 francos CFA por quilo (cerca de USD 1.370/t) provocou estocagem de aproximadamente 90 a 100 mil toneladas de cacau (estoque construído entre agosto e setembro) nas mãos dos produtores – os quais tinham o intuito de comercializar este produto a preços mais elevados e garantir um maior rendimento. O represamento de parcela das entregas é uma prática relativamente corriqueira no país, contudo, o volume guardado é praticamente o dobro do verificado um ano antes, quando cerca de 40 a 50 mil toneladas foram estocadas.

Contudo, esta prática levanta dois pontos de atenção: um possível gargalo logístico no escoamento deste vultuoso montante de cacau aos portos do país nas primeiras semanas da próxima temporada, e maiores preocupações com relação à qualidade do produto entregue.

Entregas brasileiras seguem desacelerando

Entre 16 e 22 de setembro, foram entregues 1.854 toneladas de amêndoas de cacau em território nacional, este montante representa declínio de 60% com relação às 4.667 toneladas transacionadas em equivalente semana da safra anterior, e baixa de 18% ante a semana imediatamente anterior. Apesar de ser um período de menores entregas, os recebimentos foram aquém do esperado.

No acumulado da safra internacional (out-mar), foram transacionadas nacionalmente 172.968 toneladas, com declínio de 13,3% com relação as 199.536 toneladas produzidas no ano anterior.

 

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