Este texto teve a colaboração de Caíque Souza.

Produção e produtividade americana de algodão devem apresentar avanços no ciclo 21/22

No dia 18 e 19 de fevereiro o USDA realizou seu tradicional Fórum Agrícola, durante o qual divulga suas primeiras projeções estatísticas para a próxima safra, trazendo insights sobre importantes players. Para o ciclo 2021/2022, os números primários apontam para um balanço de oferta e demanda mais enxuto, a nível mundial, para as próximas duas safras, o movimento esperado é de uma demanda que avança em ritmo mais acelerado em relação a oferta.

Mundo | Evolução da produção e consumo de algodão (milhões de tons)

Fonte: USDA. Elaboração StoneX.

No que diz respeito futuro balanço de O&D dos Estados Unidos, o relatório apontava para uma recuperação da produção na safra 21/22 na ordem de 17% em relação à safra 20/21, alcançando assim 3,81 milhões de toneladas. A recuperação da produção tem como principal variável explicativa a redução do abandono -40,4% no comparativo entre safras, demarcando apenas 18% da área plantada em 21/22. Como variável auxiliar, podemos destacar a evolução da produtividade em 1,8%, alcançando 941,51 kg/ha.

Ao comparar os dados do Fórum Agrícola com dados com a publicação das expectativas do National Cotton Council (NCC), podemos pontuar que a perspectiva de área plantada e colhida do USDA é mais elevada, visto que as estimativas da NCC são de 4,65 mil hectares de área semeada e 3,8 mil hectares de área colhida, a variação entre as estimativas para as variáveis é -2% e -6,%, de modo respectivo. No entanto, a estimativa de taxa de abandono (18%) se mantém  a mesma nas duas projeções. Importante salientar que os números do NCC foram coletados entre dezembro e janeiro, ou seja, em um período no qual há maior incerteza sobre o quadro climático dos EUA e, também, o nível de preços não se encontrava num patamar tão elevado. Logo, os números atuais podem divergir significativamente em relação aos dados a serem divulgados pelo USDA em março.

EUA | Comparativo de área e taxa de abandono (mil ha)

Fonte: USDA. Elaboração StoneX.

Outro fato relevante que favorece uma perspectiva de aquecimento da demanda  de commodities é a redução da tarifa compósita de bens importados pela China que foi reajustada de 21,8% no fim de 2020 para 15,8%, sendo essa a menor da história. Esse é um passo importantíssimo para uma redução dos efeitos da guerra comercial entre os dois países. Somado a isso, segundo fala do próprio ministro do Comércio Chinês,  na quarta dia 24, o  país está preparada para fortalecer os laços comerciais com os EUA, cooperando numa base de respeito e benefícios mútuos.

Ainda sobre a gigante asiática, o USDA estima que a produção na China recuará -5,2% em 21/22, para 5,99 milhões de toneladas. Já o consumo deve ampliar 2,5%, alcançando 8,82 milhões de toneladas. Como a projeção de importação se mantém a mesma da safra 20/21 (2,39 milhões de toneladas, o USDA projeta uma queda de -5,8% no estoque final, totalizando 7,64 milhões de toneladas. Caso se materialize, a China teria o menor volume de estoques desde a safra 11/12.

Consequentemente, há uma redução da relação estoque/uso que deve alcançar 86%, implicando numa queda de 8,1%. De modo geral, o relatório prevê um aumento do consumo e uma redução na produção, ampliando o déficit de 2,29 para 2,82 milhões de toneladas, implicando numa expansão de 23,5%. No mais, é esperado uma queda de produtividade da China, uma vez que não é provável que a região de Xinjiang, principal responsável pela produção de pluma, não repita o nível de produtividade da safra 20/21.

Estimativa do balanço de O&D mundial (milhões de toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração StoneX.

Olhando para a projeção de oferta global, há uma conjuntura de déficits para as próximas duas safras, implicando em uma redução do estoque/uso. Do lado da oferta, a recuperação da produção depende da cristalização da recuperação da produção americana. Já do lado da demanda, a dependência está vinculada a recuperação do mercado têxtil que utilizam a fibra natural como insumo de sua produção.

A despeito da próxima atualização do balanço da safra 20/21 ser publicada apenas no relatório WASDE de maio, no final de março teremos a publicação do Prospective Plantings, que apresentará o levantamento da área plantada esperada para o próximo ciclo, realizado junto aos cotonicultores norte-americanos no primeiro trimestre de 2021.

Olhando para as condições de mercado sobre o relatório de Prospective Plantings deve-se analisar o preço relativo entre o algodão e os grãos (soja e milho), um dos fatores que historicamente tem importância relevante para a tomada de decisão dos fazendeiros norte-americanos. De acordo com o Departamento, entre a metade de janeiro e publicação do relatório do Fórum Agrícola, os preços de algodão avançaram 14%, enquanto o milho e a soja tiveram uma apreciação de 13,5% e 24,5%, respectivamente. Logo, as condições relativas no início desse ano se mantêm em relação ao cereal e obtiveram uma leve deterioração no comparativo com a oleaginosa. Considerando a tradicional volatilidade do mercado cotonicultor, é essencial acompanhar de perto as variações do mercado nas próximas semanas visando identificar fundamentos que podem influenciar tal tendência.

É importante salientar, no entanto, que a base para a construção das estimativas envolve um contexto com diversas incertezas no ambiente. A intensidade da recuperação econômica, o modo pelo qual ela deve ocorrer e a eficiência mundial de vacinação agregam múltiplos níveis de dificuldade para a projeção de cenários futuros.

 

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