Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Inverno mais quente pode afetar cobertura de neve e umidade nos EUA

Áreas de trigo e algodão devem registrar maior precipitação e temperatura

O clima ameno e seco observado na região sul das Grandes Planícies norte-americanas até setembro foi bruscamente interrompido com o início do outono nos Estados Unidos. As chuvas levadas pelos furacões Rosa e Sergio, intempéries climáticas que atingiram a costa oeste do México, alcançaram o Texas no ápice do plantio do trigo de inverno de 2019/20 e no início da colheita do algodão 2018/19, acompanhadas de uma intensa frente fria.

A última segunda-feira (15) foi a data mais precoce já registrada no estado com uma temperatura máxima de 9ºC, estagnando a semeadura do cereal e a retirada da pluma dos campos, devido ao quadro frio e úmido, com alagamentos em diversos condados produtores de ambas as commodities, decorrentes de chuvas até 600% acima do normal na região. De acordo com a perspectiva da Agência de Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) para o inverno norte-americano, a região Sul do país deve ainda registrar precipitação até 50% acima do normal, com uma parte da Flórida e Geórgia podendo receber até 60% mais de chuvas (vide figura 1). A porção norte das Grandes Planícies, no entanto, deve registrar condições mais secas, com uma precipitação até 50% abaixo do normal em Montana e Dakota do Norte.

As temperaturas, no entanto, devem se manter acima do normal em quase a totalidade do território norte-americano, sem previsões de um frio anormal em nenhuma localidade. Segundo o NOAA, a perspectiva de ocorrência de um El Niño leve a partir de novembro corroborou para as previsões de precipitação e temperaturas, uma vez que sinaliza o aquecimento da superfície do leste e centro do Oceano Pacífico.

A Agência afirma que ainda devem ser registradas nevascas intensas durante a temporada, contribuindo para um acúmulo de neve no solo, contudo, um inverno mais quente pode afetar a profundidade cobertura de neve. Durante o inverno, o Hard Red Winter (HRW) depende da cobertura de  para a proteção dos trigais contra os fortes ventos glaciais, estendendo também o período de desenvolvimento reprodutivo dos cereais. No início de 2018, a safra 2018/19 foi prejudicada justamente pela menor profundidade da neve acumulada na superfície, que deixou as lavouras expostas ao frio e reduziu a umidade do solo na primavera.

A precipitação prevista pode beneficiar a umidade do solo, e esta facilita o acúmulo de partículas de água congeladas, por não serem absorvidas com tanta rapidez. Após o descongelamento, o equivalente da neve em água garante a manutenção da umidade do solo nos meses que antecedem o plantio do algodão (abril e maio) e a colheita do HRW (junho e julho).

No entanto, caso concretizadas as previsões, as temperaturas mais elevadas em regiões produtoras de trigo de inverno e algodão, como o norte do Texas, o acúmulo de água, e seu congelamento consequente, podem ser dificultados. Para o HRW, uma menor profundidade da cobertura da neve pode significar uma proteção menos eficaz contra o clima rigoroso do inverno norte-americano. Para a pluma, a maior precipitação deve auxiliar na manutenção das condições hídricas até a semeadura, mas, sem um volume considerável de neve a ser descongelada, o solo pode acabar ficando menos úmido até abril, devido ao período de chuvas escassas.

A depender das condições climáticas, a expectativa de safras maiores de ambas as commodities em 2019/20 pode ser impactada, afetando o nível de produtividade do trigo e a área plantada com algodão.

 

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