Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de grãos.
Este texto teve a colaboração de Arthur Machado, Caíque Souza, Gabriela Fontanari, João Lopes e Luigi Bezzon..

Intenções de plantio nos EUA surpreendem e podem afetar também o mercado de fertilizantes

O clima nos próximos meses será determinante para a safra norte-americana, com condições mais secas na região das planícies

Os números de perspectivas de plantio para a safra 2021/22 dos EUA eram muito aguardados pelo mercado e trouxeram surpresas. No caso da soja, a área ficou em 35,5 milhões de hectares, o que, se confirmada, representa um aumento de 5% em relação à temporada anterior, mas em patamar abaixo das estimativas prévias, e dificilmente serão suficientes para recompor o baixo estoque da oleaginosa no país. De qualquer forma, a expansão da área plantada no comparativo anual também consolida um tom otimista para a aplicação de adubos fosfatados e potássicos nos Estados Unidos no segundo trimestre, fator que tende a ditar o tom do mercado ao longo de 2021.

Considerando o plantio dos 35,5 milhões de hectares divulgado pelo levantamento do USDA e as variáveis de demanda e produtividade estimadas no Fórum Agrícola no final de fevereiro, a produção de soja da próxima safra alcançaria 119,9 milhões de toneladas, queda de mais de 3 milhões de toneladas frente ao divulgado no Fórum. Com isso, e com a manutenção da demanda aquecida, com apenas uma estimativa de pequena queda, de 1%, frente ao ciclo anterior, os estoques finais da safra 2021/22 cairiam para a mínima histórica de 700 mil toneladas de soja, destacando que as estimativas já apontam estoques baixos em 2020/21.

SOJA | Balanço de O&D – EUA

Fontes: USDA e StoneX Elaboração StoneX.

O quadro de oferta apertada alimenta o sentimento bullish no mercado da soja, sendo que após a divulgação do relatório de área pelo USDA, as cotações da soja atingiram limite de alta em Chicago na quarta-feira (31/03), com ganhos de mais de 4%. Caso esse balanço apertado realmente se confirme, poderão ocorrer restrições pelo lado da demanda, mantendo o cenário de cotações sustentadas.

Neste sentido, um mercado de soja fortalecido tende a impactar diretamente nas expectativas de consumo de fertilizantes P e K, com possibilidade de adiantamento das compras para o próximo ciclo no último trimestre do ano, conforme os consumidores finais dos adubos encontram janelas oportunas para aquisições antecipadas, visando facilitar a logística e garantia de volumes. Relembramos a decisão favorável à Mosaic no processo contra fabricantes de fertilizantes fosfatados da Rússia e do Marrocos, o que limita as opções de origem das importações do complexo P e deve ser um fator de pressão sobre a oferta ao longo dos próximos 5 anos, período de tempo após o qual a decisão pode ser recorrida no Departamento de Comércio.

Assim como no caso da oleaginosa, o relatório também foi altista para o mercado do milho. A área plantada do cereal foi estimada em 36,9 milhões de hectares, 131,5 mil hectares acima do registrado no ano passado, mas abaixo da expectativa média do mercado (37,7 milhões) e da projeção do Fórum Agrícola (37,2 milhões). Em relação aos estados, destacam-se os aumentos no comparativo anual de 546,3 mil hectares na Dakota do Norte e de 263,0 mil na Dakota do Sul. No sentido oposto, Illinois e Iowa chamaram a atenção por registrar recuos de aproximadamente 160 mil hectares cada um.

MILHO | Balanço de O&D – EUA

Fontes: USDA e StoneX Elaboração StoneX.

Sendo o milho a principal cultura consumidora de fertilizantes nitrogenados, como ureia e UAN, nos Estados Unidos, a relativa estabilidade observada nas atuais estimativas de área plantada podem resultar em um consumo efetivo inferior ao que o anteriormente antecipado pela indústria de adubos. A despeito dos fortes volumes internalizados ao longo do primeiro trimestre, a aplicação efetiva dos nutrientes é essencial para que não haja construção de estoques e impactos sobre as cotações internacionais – lembrando que, dentre os mercados de fertilizantes, os nitrogenados se destacam pela maior volatilidade do preço e menor poder das fabricantes sobre as cotações, considerando a fragmentação do mercado.

De qualquer forma, utilizando como base os dados de intenção de plantio, a produção americana chegaria a 380,9 milhões de toneladas na safra 2021/22, mais de 20 milhões acima do produzido na safra anterior. Contudo, esse crescimento não será o suficiente para compensar o aumento da demanda total pelo grão do país, que deverá passar de 371,5 milhões de toneladas, no ciclo 2020/21, para 384,2 milhões em 2021/22, resultando em um estoque final de 35,5 milhões de toneladas, contra 38,2 na safra anterior. Desse modo, a relação estoque/uso chegaria a 9,2%, o que representaria uma queda de 1,1 p. p. em relação à safra 2020/21 e o menor patamar desde a temporada 2013/14.

No caso do trigo, as perspectivas de plantio para os EUA trouxeram um aumento de 5% na área total do cereal frente a 2020/21, estimada em 18,76 milhões de hectares – se comparada aos dados do Fórum Agrícola (18,2 milhões de hectares), observa-se um aumento de 3%. Vale apontar que a perspectiva de uma maior área plantada se deu em relação ao trigo de inverno, que, se confirmada, deve crescer até 9% em relação a um ano antes. Nos maiores estados produtores dos EUA, Kansas e Texas, a perspectiva é de que a área de plantio cresça 11% e 12%, totalizando 2,95 e 2,22 milhões de hectares, respectivamente. A área total destinada ao trigo durum (623,23 mil hectares) e outras variedades de primavera (4,75 milhões de hectares) devem ficar 9% e 4% abaixo do ano passado, respectivamente.

Essa maior área de trigo tende a se refletir numa produção também mais elevada, estimada em 51,5 milhões de toneladas, considerando a produtividade trazida pelo Fórum Agrícola em fevereiro. Assim, adotando-se também as mesmas variáveis de demanda, os estoques finais aumentariam para 20,8 milhões de toneladas, nível ainda abaixo do previsto para o ciclo 2020/21, em 22,8 milhões de toneladas.

TRIGO | Balanço de O&D – EUA

Fontes: USDA e StoneX Elaboração StoneX.

Para o algodão, pelo lado da pluma, os dados vieram em linha com o esperado pelo mercado. A pesquisa aponta para um plantio de 4,87 milhões de hectares da fibra natural, frente à média das estimativas, de 4,86 milhões. Além disso, este volume é apenas 0,5% menor do que o observado no ano passado (4,89 milhões de hectares). As variações ano a ano das principais regiões cultivadoras da fibra natural foram as seguintes: Texas (-0,3%), Georgia (+0,8), Delta (-0,6%).

ALGODÃO | Balanço de O&D – EUA

Fontes: USDA e StoneX Elaboração StoneX.

Ao ampliar o horizonte de análise, a projeção do USDA implica que a safra 2021/22 terá uma área colhida 6% acima da média de 10 anos, de 3,83 milhões de hectares. Além disso a produtividade está em linha com a média histórica (0,94 toneladas por hectare colhido), mas é um fator que deve ser monitorado, uma vez que o clima ainda pode alterar essas perspectivas.

Uma parte importante do país está enfrentando condições mais secas, da região do Pacífico, passando pelas grandes planícies e indo até o norte o Meio Oeste. Talvez, essa seja a primavera mais seca no sudoeste dos EUA desde 2013, situação favorecida pelo fenômeno La Niña, além de temperaturas acima da média e baixa reserva hídrica no solo. Caso as precipitações fiquem abaixo do normal nos próximos meses, a falta de umidade no solo tende a se agravar, o que pode impactar a safra 2021/22, assim como a aplicação dos fertilizantes durante os primeiros ciclos de adubação de plantio.

No caso da soja e do milho, a maior parte do Meio Oeste não deve ser afetada, com exceção das Dakotas, que já sofreram com questões climáticas em 2020. Por outro lado, as safras de trigo e de algodão, que concentram parte importante da área na região das planícies podem enfrentar adversidades, segundo as perspectivas do NOAA para os próximos 3 meses, lembrando, por exemplo, que o Texas deverá ser responsável por 56% da área plantada de algodão nos Estados Unidos segundo o relatório de perspectivas de plantio do USDA.

Perspectivas para condições de seca nos EUA – 18/03 a 30/06/2021

Fonte: NOAA. Autor: Adam Hartman.

 

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