Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Exportações brasileiras para a China atingem maior volume mensal em 6 anos

Contexto de guerra comercial e balanço de O&D mais apertado favorecem o Brasil

As exportações brasileiras de algodão em pluma têm se beneficiado das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, desencadeadas no primeiro semestre de 2018. A imposição da tarifa sobre a importação da pluma norte-americana pelo governo chinês no último mês de julho possibilitou a outros países exportadores abocanhar uma parcela maior do mercado interno da gigante têxtil (conforme mencionamos aqui).

A despeito do ritmo dos carregamentos do Brasil ao exterior estarem defasados frente ao observado em 2017 e na média dos últimos 3 anos — 572,2 mil toneladas acumuladas até a primeira semana de novembro, contra 606,2 mil toneladas em 2017 e 632,7 mil toneladas da média de 3 anos — , as vendas para a China aqueceram-se significativamente em outubro (vide gráfico 1).

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), no comparativo anual o volume exportado para a gigante têxtil avançou 94%, totalizando 49 mil toneladas apenas em outubro, contra as 25,25 mil toneladas observadas no mesmo mês do ano anterior. O acumulado dos carregamentos para a China entre janeiro e outubro totalizam 64,56 mil toneladas, volume 13% superior às 57 mil toneladas registradas em 2017, e representa cerca de 78% do total das exportações no último ano (83 mil toneladas).

Nos últimos meses foram observados diversos cancelamentos de carregamentos de algodão norte-americano por parte de compradores da China, sinalizando um arrefecimento da demanda do país pela pluma dos EUA após o início da vigência das tarifas. Em contrapartida, outros grandes produtores da fibra natural na Ásia e Oceania indicaram safras menores do que o anteriormente previsto. A Austrália, Índia e Paquistão foram afetados por um clima mais seco e quente, com períodos de estiagem mais longos do que o normal, e um volume de chuvas significativamente abaixo da média durante toda a temporada de monções.

De tal modo, a Austrália, importante fornecedora de algodão à indústria têxtil da China, disponibilizará cerca de 50% menos pluma no mercado internacional em 2018/19. Ademais, a contração de 3,3% da produção indiana acarretará em um excedente exportável menor, já que o setor têxtil local responde por uma parcela significativamente da demanda. O mesmo ocorre no Paquistão, onde a estiagem e a presença de pragas deve levar a uma safra 24,5% menor.

Assim, com exceção da Austrália, espera-se que os países do sudeste asiático recorram às exportações norte-americanas, conforme já observado com o aumento das compras do Paquistão e Vietnã desde setembro. Neste contexto, os compradores chineses se deparam com um quadro de oferta regional mais restrito, passando a recorrer a exportadores mais distantes, como o Brasil.

A despeito da perspectiva de uma safra brasileira recorde em 2018/19, os cotonicultores locais ainda exportam a produção de 2017/18. Menores rendimentos em determinadas regiões e entraves logísticos ocasionados pela falta de disponibilidade de containers e pelas incertezas acerca da tabela de fretes da ANTT, levaram a reduções na estimativa de exportação da Conab, agora estacionada em 1,0 milhão de toneladas.

Faltando 430 mil toneladas para atingir a projeção da Conab, e diante da demanda crescente de seus principais importadores (Indonésia e Vietnã), entra em questionamento a disponibilidade e a parcela de seu excedente exportável que o Brasil direcionará para o mercado chinês nos próximos meses.

 

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