Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

USDA eleva estoques para a safra 2017/18 dos EUA

Na última quinta-feira (9), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou suas estimativas do balanço global de oferta e demanda de algodão, elevando sua projeção para a produção norte-americana para 4,65 milhões de toneladas. A cifra corresponde a um aumento de 1% frente à redução para 4,60 milhões de toneladas notada no mês anterior, em que foram contabilizadas as perdas resultantes da passagem dos furacões Harvey e Irma pelo cinturão algodoeiro do país. Com mais de 50% da colheita finalizada nos Estados Unidos até o início de novembro, o USDA projeta um aumento significativo da produtividade dos algodoais, com um rendimento médio de 1.008 kg/hectare nos estados do Sudeste e 1.120 kg/hectare no Meio-Sul, impactando positivamente no volume da produção final, que deve ser a maior observada desde a safra de 2006/07.

A despeito da precipitação elevada e da onda de frio recente terem atrasado a colheita em algumas regiões cotonicultoras, 55% da safra norte-americana se encontra em condições boas ou excelentes (6 p.p. acima do mesmo período do ano passado), com destaque para a região do Delta do rio Mississipi, com 65% das lavouras nessas condições (5 p.p. acima de 2016).

De acordo com o USDA, o impacto causado por mudanças no clima em setembro e outubro nos estados do Meio-Sul, como o Texas, foi compensado pelos ganhos consideráveis nas plantações dos estados do Leste, como observado na região do Delta, corroborando para a revisão, já esperada, da produção norte-americana.

O acréscimo projetado em novembro para a safra norte-americana também influenciou na estimativa dos estoques finais, volume carregado de uma safra a outra, que define a oferta na entressafra. O aumento de 57 mil toneladas faz com que a projeção de estoques finais seja de 1,32 milhões de toneladas, a maior desde a safra 2008/09. Tal avanço deriva da manutenção dos volumes de exportações e consumo doméstico estimados em outubro, fazendo com que o adicional na produção esteja contabilizado nos estoques finais de 2017/18.

Todavia, restando ainda 38 semanas até o encerramento da safra atual, já foi realizado o equivalente a 64% do volume de exportações projetado para 2017/18. Atualmente, as cotações do algodão norte-americano são consideradas bastante competitivas, o que contribui para uma demanda aquecida da pluma dos cotonicultores dos Estados Unidos, aumentando a possibilidade de uma revisão posterior da estimativa de vendas de exportação, o que corroboraria para um decréscimo dos estoques finais e da relação estoque/uso.

Seguindo tendência inversa à da safra dos Estados Unidos, a projeção da safra global conferiu um leve viés altista ao mercado. Apesar do aumento de 0,5% na produção mundial de algodão em novembro, o USDA projetou para 2017/18 um aumento de 1% no consumo global, com destaque para a demanda mais aquecida em Bangladesh (+5%) e China (+1,3%) em comparação com outubro. Com o avanço do consumo e uma contração na projeção para a produção da Austrália (1,05 milhões de toneladas), os estoques finais tiveram uma revisão, contraindo cerca de 2% frente a outubro, agora em 19,79 milhões de toneladas previstas para estocagem na entressafra.

De tal modo, as condições da safra 2017/18 norte-americana observadas até o momento, e a considerável melhora em comparação com o ano-safra anterior, fizeram com que as expectativas do mercado para o algodão dos Estados Unidos não divergissem em grande escala do reportado pelo WASDE. No entanto, o viés levemente altista do balanço, que decorre das revisões para a safra global, pode ser intensificado caso o USDA decida por revisar a projeção das exportações dos Estados Unidos.

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn

Veja também

Teste já!

Experimente nossa plataforma de relatórios gratuitamente

Relatórios periódicos aprofundados

Produzimos mais de 300 relatórios mensais de acompanhamento dos principais mercados globais de commodities. Veja alguns exemplos:

Para quais mercados você deseja receber notificações?*

Açúcar & EtanolAlgodãoCacauCâmbioEnergiaFertilizantesMilhoSojaTrigoPecuáriaCafé

Como ficou sabendo de nós?*

FacebookLinkedInWhatsAppIndicaçãoGoogleOutrosNewsletter

*Campos obrigatórios