Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Área plantada deve avançar nos EUA em 2019/20, ante queda das cotações de culturas concorrentes

Otimismo ainda permeia entre cotonicultores norte-americanos

Após 35 dias de fechamento do governo norte-americano, período no qual o mercado permaneceu às cegas ante a ausência de informações e dados das principais culturas do país, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, na última sexta-feira (8), suas estimativas de oferta e demanda mundiais. No entanto, no que tange o balanço da pluma, não houveram grandes surpresas, em linha com as expectativas do mercado.

No âmbito global, o WASDE reafirma uma menor produção mundial — 25,79 milhões de toneladas —, contra um consumo de 26,92 milhões de toneladas. No comparativo anual, a disparidade entre oferta e demanda deve levar a uma queda de 5 pontos percentuais na relação estoque/uso internacional, passando de 66,12% em 17/18 para 61,06% em 2018/19.

Quanto às safras nos principais produtores, a deterioração das condições de safra na Índia, diante de um regime de monções aquém do normal, levou a uma revisão de -2% da estimativa de produção local, totalizando 5,88 milhões de toneladas. Ademais, o USDA realizou uma contração nas projeções para a safra 2018/19 da Turquia e Burkina Faso.

Em contrapartida, as estimativas da produção da Austrália e Brasil tiveram um avanço de 4%, enquanto uma ligeira melhora nas condições na China acarretou em uma revisão de +2% para 2018/19

Perspectiva da safra nos EUA

No que tange a safra norte-americana, os reais impactos da passagem do furacão Michael pelo Sudeste do país ainda estão sendo contabilizados. Entretanto, a queda dos rendimentos e perdas nos algodoais da região continuam a ser os principais fatores de reduções na estimativa de produção nacional — agora projetada em 4,0 milhões de toneladas (-1% ante o último WASDE).

Ainda no balanço de O&D dos EUA, o USDA manteve sua projeção para as exportações dos fardos locais. Ao manter o volume em 3,27 milhões de toneladas, estima-se que as vendas internacionais norte-americanas tenham se aquecido nas últimas semanas de dezembro e início de janeiro.

Isto pois, os dados referentes à semana de 20 a 27 de dezembro de 2018 ainda sinalizavam um volume acumulado abaixo do necessário para se atingir a projeção. Não obstante, as vendas e carregamentos permanecem acima da média dos últimos três anos.

Neste contexto, nos próximos meses o mercado se atentará à definição da área plantada da safra 2019/20 dos EUA. A despeito do prolongamento do embate comercial com a China levar a uma perda de marketshare das exportações norte-americanas no mercado interno chinês, outros importantes consumidores, como Vietnã e Paquistão, garantem o escoamento da produção.

Deste modo, há ainda um otimismo dentre os cotonicultores norte-americanos para com os rendimentos no próximo ciclo. Segundo o Conselho Nacional de Algodão (NCC)—principal instituição da indústria de algodão nos EUA—, sua primeira pesquisa de intenção de plantio, realizada em dezembro, indica um avanço de 2,8% da extensão em 2019/20, totalizando 5,86 milhões de hectares. Isto pois, os preços da pluma se mostram mais fortalecidos ante outras culturas, como a soja, o que deve influenciar em um avanço da área plantada da fibra sobre a oleaginosa, especialmente na região do delta do rio Mississippi.

A confirmação da estimativa deve ocorrer no Fórum Agrícola do USDA, previamente agendado para os dias 21 e 22 de fevereiro, mas ainda a ser confirmado, diante do atual impasse no Congresso norte-americano.

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