Estoques de etanol recuam no Brasil

Movimentações variaram de acordo com o tipo de álcool e com a região analisada

De acordo com o MAPA, os estoques de etanol no Brasil totalizaram 10.848,0 mil m³ no fim da primeira quinzena de novembro. Este volume, que representa um aumento anual de 16,4%, é 1,3% menor em relação à segunda metade de outubro. Destaca-se que as duas variedades de etanol tiveram comportamentos diferentes no comparativo quinzenal: enquanto a tancagem de anidro cresceu para 3.958,1 mil m³ (+0,1%), o armazenamento de hidratado recuou para 6.889,9 (-2,1%).

No Centro-Sul, os estoques de etanol anidro e hidratado se retraíram em relação ao final de outubro, para 3.805,2 mil m³ (-0,3%) e 6.700,1 mil m³ (-2,6%), respectivamente. Destaca-se, também, que o volume armazenado do primeiro tipo está 13,9% menor ante a 2017, enquanto o da variedade hidratada está 47,4% maior.

O maior foco na estocagem de hidratado indica que usinas se prepararam para um cenário de forte demanda por esta variedade durante a entressafra. Ainda que sem dados oficiais, a proporção de preço entre o biocombustível e a gasolina nos postos da região reforça as expectativas de procura aquecida. Isso porque, na média dos 15 primeiros dias de novembro, a paridade atingiu 63,8%, 6,0 pontos percentuais abaixo do mesmo período de 2017 e mantém distância da equivalência energética, de 70%.

E como fica a situação no Nordeste? Por conta do andamento da safra, a armazenagem de álcool tem crescido ao longo das últimas quinzenas. Observa-se, ainda, que os estoques de biocombustível se mostram maior em relação ao ano passado – totalizando 228,8 mil m³ (+13,4%) na primeira metade do mês. Assim como no Centro-Sul, o hidratado e o anidro tiveram comportamentos distintos, uma vez que os estoques destes dois produtos totalizaram 172,1 mil m³ (+62,2%) e 56,7 mil m³ (-40,7%), respectivamente.

Ao longo dos próximos meses, os estoques de etanol podem desempenhar um importante papel nos preços do produto e, consequentemente, na demanda. Informações mais recentes da ANP mostraram que as quedas da gasolina A já começaram a ser repassadas aos consumidores finais. Desta forma, a paridade média na última semana avançou expressivamente nas regiões supracitadas – contexto que tende a pesar sobre a decisão dos consumidores sobre qual combustível escolher.

Assim, em meio a amplos estoques do biocombustível e à possibilidade de novas quedas da gasolina nas bombas, usinas podem reduzir suas pedidas para que o etanol mantenha sua competitividade e a demanda permaneça aquecida.

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