Retomada das chuvas pode ser insuficiente para conter quebra de safra no Centro-Sul

Desde o mês de fevereiro, a precipitação sobre os canaviais apresentou-se consideravelmente inferior à média histórica em parte relevante da região Centro-Sul. Dados acumulados de fevereiro a junho mostram precipitação de 378 mm, queda de 33,1% no comparativo anual da região, e de 33,4% na média histórica ante o período em questão.

A seca mostrou-se predominante na região sudeste, com o estado de São Paulo, responsável por 48,7% da moagem acumulada da safra 2018/19, apresentando indicadores pluviométricos em torno de 325 mm entre fevereiro e junho, 37,9% inferior ao observado no ano anterior, e 41,3% abaixo da média histórico.

O clima seco permitiu avanço rápido da safra, com os dados da UNICA mostrando a moagem de cana-de-açúcar em 222 milhões de toneladas no acumulado até o final de junho, 11% acima do ano anterior. De forma similar, a extração acumulada de Açúcares Totais Recuperáveis (ATRs) chegou a 28 milhões de toneladas, aumento de 17% no comparativo entre as safras.

Maior precipitação em agosto pode afetar moagem

Com a seca nos últimos meses, a possibilidade que o crescimento da cana-de-açúcar não tenha sido afetado é remota. Dados apresentados pelo CTC para a região Centro-Sul indicaram que, no decorrer do mês de junho, observou-se menor produtividade agrícola, com 82,91 toneladas por hectare, ante 85,11t/ha apuradas no ano anterior. Nos próximos meses, a expectativa é de que esta perda se acentue.

O acompanhamento climático, contudo, indica que se pode esperar retomada da precipitação para o mês de agosto, terminando um total de cinco meses de baixa pluviosidade. A expectativa é que chova acima do histórico para o período, oferecendo alívio, mesmo que muito limitado, ao desenvolvimento dos canaviais.

Por outro lado, a maior pluviosidade comprometerá a atividade de moagem no campo. A seca não somente possibilitou melhores condições de trabalho nos canaviais, mas a menor proporção de água possibilitou melhor taxa de ATR, que deve ser prejudicada se as chuvas se concretizarem.

Se agosto for de fato mais chuvoso que o normal, é possível que a perspectiva atual de fim antecipado da safra não se concretize. Com isso, a redução no ritmo de moagem das usinas obrigaria estar a processar cana até os meses normais de fechamento da safra, entre outubro e dezembro.

Perspectiva

Se concretizadas as previsões, com a retomada das chuvas no mês de agosto, a expectativa é de que o menor estresse hídrico aos canaviais seja insuficiente para compensar os meses de seca que foram observados, assim mantendo a quebra de safra. Não obstante, pode-se esperar menor retirada de cana-de-açúcar dos campos, conforme colheitadeiras e demais máquinas percam sua eficácia no campo, assim como queda do ATR.

Por outro lado, caso observe-se continuidade das condições de estiagem a quantidade de ATR extraído poderá se beneficiar, mantendo acima da média o processamento da cana-de-açúcar e a produção de açúcar e etanol nas usinas. Neste caso, entretanto, a perda de produtividade agrícola pode ser ainda maior, levando a safra a terminar ainda mais cedo do que já é esperado.

Previsão de precipitação para o Centro-Sul do Brasil

Fonte: MDA

Matéria escrita por Felipe Almeida, colaborador INTL FCStone até fevereiro de 2019.

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