Luigi Bezzon

Luigi Bezzon

Graduando em Ciências Econômicas pela ESALQ/USP, Luigi Bezzon é analista do time de Inteligência de Mercado da StoneX em Fertilizantes e Óleos Vegetais.
Este texto teve a colaboração de Ana Luiza Lodi.

Indonésia bane exportações de óleo de palma, dando ainda mais sustentação aos preços

Em um contexto de mercado já bastante delicado, após a ruptura causada pela Guerra na Ucrânia e preços explorando as máximas histórica, o mercado global de óleos vegetais foi pego de surpresa, quando a Indonésia anunciou que baniria as exportações de óleo de palma “até que os preços internos esfriassem”. Na segunda-feira, 25/04, porém, oficiais do governo indonésio trouxeram certo alívio à notícia, ao afirmarem que a proibição de embarques cairia apenas sobre a oleína de palma refinada, o que chegou a derrubar os preços na Bursa na ocasião, diante da quebra de expectativa. No decorrer da semana passada, contudo, rumores apontavam que todas as variedades do óleo de palma, incluindo o bruto, também seriam incluídas na lista de produtos retidos – o que foi finalmente confirmado na tarde de quarta-feira, 27/04, levando o preço futuro do óleo na Bursa a saltar 10% no dia, encostando no limite de alta.

A Indonésia é protagonista no mercado global de óleos vegetais, e disparadamente o maior exportador de óleo de palma, o óleo mais consumido no mundo. A estimativa do USDA é de que as exportações de óleo de palma do país alcancem 28 milhões de toneladas no ciclo 2021/22, destacando que esse volume representa mais da metade da produção doméstica e 56% das exportações globais de óleo de palma. Apenas à título de comparação, a estimativa de exportação da Malásia, segundo maior produtor e exportador, fica em 16,2 milhões de toneladas, enquanto a Argentina, maior exportadora do óleo de soja, alcançaria 5,9 milhões de toneladas embarcadas.

Considerando a exportação de todos os óleos vegetais, de acordo com o USDA, a estimativa de 28 milhões de toneladas de óleo de palma da Indonésia representaria 33% do total.

Exportações mundiais de óleos vegetais e participação do óleo de palma da Indonésia – 2021/22 (milhões de toneladas e participação)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A ruptura do fornecimento de óleo de palma da Indonésia se soma à escassez de óleo de girassol decorrente da redução das exportações ucranianas e russas após o início da guerra no final de fevereiro. O óleo de girassol é o 4º óleo mais consumido no mundo, atrás de palma, soja e canola, e Rússia e Ucrânia representam cerca de 60% de seu fornecimento global. Neste sentido, o complexo de óleos, que já se arrastava por um momento de disponibilidade apertada impulsionando os preços, voltou a superar as máximas históricas nos últimos dias nas principais praças de negociação.

Diante de sua grandeza no mercado, não há substituto possível para as exportações de palma da Indonésia no curto prazo. A Malásia, que já se encontra com estoques historicamente baixos, não conseguirá elevar sua produção e exportações repentinamente e abastecer o vácuo deixado pelo país vizinho. No entanto, mesmo que não haja uma data oficial para que as exportações retomem na Indonésia, dificilmente o banimento durará muitos dias. A ausência da receita externa será rapidamente sentida pelo setor, que deverá pressionar o governo a se reabrir ao mercado externo.

Além disso, o volume mensal exportado de óleo de palma na Indonésia é duas vezes maior que o consumido internamente, e a retenção deste volume deverá gerar superlotação dos estoques em poucos dias.

A indústria processadora da Indonésia não está preparada para armazenar todo o volume produzido internamente. Atualmente, há por volta de 5 milhões de toneladas do óleo em estoque, sendo que a capacidade de armazenamento das indústrias do país está entre 6 e 7 milhões de toneladas, de acordo com fontes locais.

Estoques de óleo de palma no final do mês na Indonésia e Malásia (milhões de toneladas)

Fontes: MPOB e GAPKI. Elaboração: StoneX.

Como resultado desta provável pressão de estoques, surgem dois desfechos prováveis: ou as exportações retomam nos próximos dias; ou a produção doméstica terá de ser significativamente reduzida, impactando os produtores, que verão seus produtos estragando dentro da porteira – além de gerar problemas financeiros entre os pequenos e médios produtores, principalmente. De acordo com o Presidente do país, a política será revista mensalmente, mas analistas já esperam que em cerca de 3 semanas haja um relaxamento dos embarques.

Luigi Bezzon

Graduando em Ciências Econômicas pela ESALQ/USP, Luigi Bezzon é analista do time de Inteligência de Mercado da StoneX em Fertilizantes e Óleos Vegetais.
Este texto teve a colaboração de Ana Luiza Lodi

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