Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Real escapa da “maldição de maio” e encerra o mês estável

O par dólar/real encerrou a sexta-feira passada (31) cotado a R$ 3,924, em baixa diária de 1,4% e recuo semanal de 2,3%. As sinalizações favoráveis do Congresso brasileiro à agenda de reformas econômicas do governo do presidente Jair Bolsonaro, em especial à reforma da Previdência, e os atritos recentes entre Estados Unidos e México, favorecendo a compra do real contra o peso mexicano, estiveram entre os fatores que mais afetaram as cotações e favoreceram a valorização da moeda brasileira.

Com a recuperação das duas últimas semanas, o real escapou da “maldição de maio” e encerrou o mês estável. A tendência de enfraquecimento dos ativos brasileiros em maio foi observada de maneira recorrente entre 2012 e 2018 no mercado de câmbio local, anos em que o real encerrou o mês em desvalorização diante do dólar. Nos últimos sete anos, a alta média do par dólar/real em maio foi de 4,7%, sendo inferior a 1,0% em apenas uma ocasião.

Além do real, o Ibovespa também escapou da “maldição de maio”, encerrando o mês com leve alta de 0,7% na esteira da melhora nas expectativas para a aprovação de medidas de ajuste fiscal. Desde maio de 2009 o índice acionário não encerrava o mês em terreno positivo. Além do desempenho destacar o Ibovespa em relação à sua tendência histórica, a bolsa brasileira também performou melhor do que outros mercados internacionais, que encerraram o mês em quedas expressivas. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq acumularam perdas de mais de 6% em maio, enquanto o índice MSCI Emerging Markets, recuou 7,3%.

Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, abriu uma nova frente da guerra comercial ao anunciar a imposição de tarifas punitivas contra o México a partir de 10 de junho. No plano do governo americano, todos os produtos importados do país vizinho serão taxadas com uma alíquota de 5%, que poderá ser elevada até 25% em outubro caso o governo mexicano não dê demonstrações de que está agindo para interromper a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Na sexta-feira, o peso mexicano recuou cerca de 3,6% e teve sua pior sessão em sete meses ante o dólar como resposta ao anúncio da Casa Branca. A perda expressiva da moeda mexicana fez com que o par real/peso (BRL/MXN) registrasse valorização de mais de 4%, sendo seu melhor desempenho diário em mais de um ano, o que atraiu investidores para assumirem posições compradas em real. Essa tendência, se acompanhada de progressos concretos na agenda de reformas econômicas, tende a potencializar a apreciação do real nos próximos meses.
Agenda de indicadores econômicos

São destaques na agenda desta semana para o Brasil as divulgações dos dados da atividade econômica medidos pelos PMIs da indústria e dos serviços e pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, assim como os números da inflação medidos pelo IPC-Fipe, IGP-DI e IPCA. De acordo com o IGP-M da FGV, divulgado na última quinta-feira, o nível geral de preços se desacelerou em maio, registrando um avanço de 0,45% no período, abaixo da alta de 0,92% observada em abril. Isolando apenas o componente de preços ao consumidor do índice, observou-se uma alta de 0,35% no último mês, inferior à alta de 0,69% de abril. A expectativa é de que o IPCA de maio registre uma alta semelhante, em torno dos 0,30%, o que, se confirmado, reduziria o acumulado em 12 meses do índice de uma alta de 4,94% para 4,84%.

A agenda de indicadores para a economia americana também merece atenção nesta semana, que deve ser pontuada por números da atividade econômica, falas de membros do Comitê de Mercado Aberto do Fed (FOMC) e culminar na divulgação do relatório de situação do emprego na sexta-feira (7). O mercado continua a projetar ritmo forte de criação de empregos em maio, com expectativa de um saldo de 180 mil admissões no mês, e avanço moderado da média salarial, em 0,3% em relação a abril.

Na agenda internacional, é destaque a divulgação do PMI da indústria chinesa medido pela Caixin/Markit na noite deste domingo, que amenizou a perspectiva de desaceleração do setor em meio à disputa comercial com os Estados Unidos. A semana também reserva indicadores de emprego e atividade econômica para a zona do euro, com a publicação do PIB do primeiro trimestre na próxima quinta-feira (6). No mesmo dia, o Banco Central Europeu (BCE) anunciará sua decisão de política monetária de junho.

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