Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Pessimismo eleitoral leva dólar para perto de suas máximas históricas

Assim como em 2002, mercado se mostra defensivo com as perspectivas para o próximo governo e taxa de câmbio volta a oscilar acima dos R$ 4,00

Os desenvolvimentos do cenário eleitoral brasileiro exerceram pressão sobre o real por mais uma semana, impulsionando a taxa de câmbio com a moeda americana para perto de suas máximas históricas.

Depois de atingir os R$ 4,123 na quinta-feira (23), refletindo a reação dos investidores às pesquisas de intenção de voto mais recentes e à postergação do julgamento dos pedidos de impugnação do registro de candidatura do ex-presidente Lula, o dólar comercial passou por correção nesta sexta-feira (24), em linha com o exterior. Na sessão, a divisa registrou baixa diária de 0,5%, encerrando cotada a R$ 4,104. No comparativo semanal, o par dólar/real acumulou ganho de 4,8%, sendo sua terceira semana consecutiva de alta.

Nos últimos dias, as pesquisas eleitorais têm consolidado algumas expectativas em relação à disputa presidencial no Brasil: a fragilidade do candidato pró-mercado Geraldo Alckmin (PSDB), que pode não participar do segundo turno, e a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os eleitores, com possibilidade de transferir votos para o seu vice, Fernando Haddad (PT). Alckmin, que aparece entre a terceira e quarta colocação nas pesquisas, ainda tem a chance de reverter a situação, já que te maior tempo de TV e rádio durante o programa eleitoral gratuito que se inicia na próxima sexta-feira (31). Caso sua campanha não se beneficie da maior exposição, o real deve passar por uma nova rodada de desvalorização.

A postergação da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca dos pedidos de impugnação da candidatura de Lula exerceu forte pressão sobre a moeda brasileira na semana. A defesa do ex-presidente tem até o próximo dia 30 para apresentar seus argumentos, o que significa que um veredito só deve ser anunciado no início de setembro.

Fora do Brasil, o dólar encerrou a semana registrando perdas devido ao tom dovish da ata do FOMC divulgada na quarta-feira, e da fala do chair do Federal Reserve, Jerome Powell no simpósio anual de política monetária de Jackson Hole, Wyoming. Na semana, o dollar index, que mede a força da moeda americana diante de outras divisas de economias avançadas, encerrou cotado a 95,06 pontos, em baixa de 1,0% em relação à sexta-feira anterior (17).

De acordo com o discurso de Powell, que reforçou os comentários da ata do FOMC, o ritmo gradual de elevação da meta para a taxa de juros continua a ser apropriado para as condições atuais da economia americana, sem riscos de sobreaquecer a atividade econômica e de permitir a aceleração da inflação para além do objetivo de estabilidade de preços do Fed. Ainda são esperadas duas altas de 25 pontos base em 2018, em setembro e dezembro, sendo improvável que a autoridade monetária surpreenda os mercados com elevações mais intensas.

Moedas e ativos de economias latino-americanas se mostraram mais firmes na sexta-feira diante do alívio nas perspectivas para a trajetória da taxa de juros nos Estados Unidos. Além do real, os pesos mexicano, chileno e colombiano exibiram recuperação na sessão, enquanto o peso argentino recuava para sua mínima histórica diante do dólar.

O otimismo com a possibilidade de um novo acordo entre México e Estados Unidos para atualizar os termos do NAFTA é o que tem conferido fôlego ao peso. Nos últimos dias, os governos de ambos os países demonstraram progressos nas discussões bilaterais referentes ao setor automotivo e estão próximos de concluir esta etapa das negociações. A etapa seguinte, que deve ser uma das últimas antes da renovação do NAFTA, incluirá também o governo canadense para decidir sobre os mecanismos de resolução de disputa e a proposta americana de inclusão de uma cláusula de caducidade (sunset clause) ao acordo. O dispositivo legal exigiria dos três países a revisão dos termos previstos no NAFTA a cada cinco anos, e não tem o apoio de México e Canadá, que justificam que a medida traria insegurança ao investimento.

Apesar da intervenção do Banco Central argentino, o peso encerrou a sexta-feira em forte baixa de 1,4%, atingindo a mínima de $ 30,85 ante o dólar americano. A economia do país enfrenta um grande escândalo de corrupção envolvendo construtoras e membros dos governos de Néstor e Cristina Kirchner (2005 a 2015), que deve a impactar a atividade econômica neste ano.

A falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e China nesta semana também foi um fator baixista para as moedas de economias emergentes. De acordo com fontes citadas pela imprensa, são reduzidas as chances de um acordo em breve, em vista da indisposição chinesa em fazer concessões para reduzir o déficit comercial americano com o país e para resolver o impasse acerca da transferência forçada de tecnologia de empresas dos Estados Unidos para o gigante asiático.

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