Vitor Andrioli

Vitor Andrioli

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Trabalha desde 2015 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil como analista de Câmbio e Algodão.

Otimismo com economia mundial mantém tendência de queda do dólar

Real segue tendência de queda mesmo com rebaixamento de nota de crédito da S&P

O dólar comercial continuou em movimento de queda durante a segunda semana de janeiro, cotado a R$ 3,2062 (-0,84% na semana) na sexta-feira (5). A desvalorização do dólar confirma o cenário de otimismo com a economia internacional e acentua a valorização do real frente a outras moedas. Nem mesmo o rebaixamento de nota de crédito brasileira pela Standard & Poor’s na sexta-feira foi capaz de segurar esse movimento, havendo valorização do BRL no dia.

Cenário doméstico

Após uma semana de relativa calmaria nos mercados cambiais no Brasil, com duas altas da moeda americana, a semana encerrou de maneira agitada pelo rebaixamento da nota de crédito do país pela agência Standard & Poor’s (S&P) para BB-, três graus abaixo do “grau de investimento”.

Iniciando a semana com poucos indicadores de relevância para a economia brasileira e com o noticiário econômico pouco movimentado nesse início de ano, as atenções dos investidores têm se voltado para os eventos políticos previstos para este trimestre. O julgamento do recurso de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região contra a condenação expedida pelo juiz Sergio Moro, previsto para ocorrer no próximo dia 24, e a votação da reforma da Previdência na Câmara, agendada para a terceira semana de fevereiro, devem definir o patamar em que a taxa de câmbio operará neste ano. Um terceiro possível evento político, a apreciação pelo Congresso da medida que flexibiliza a “regra de ouro” das contas públicas—que limita a capacidade do governo de emitir dívida para o pagamento de despesas—foi adiada ontem pelo Presidente Michel Temer para depois de fevereiro.

Na manhã da terça-feira (9), o IBGE divulgou os dados do IPCA de dezembro, que registrou aceleração acima do esperado pelo mercado. Ante a alta projetada de 0,29%, o indicador encerrou o último mês com avanço de 0,44%. No acumulado em 12 meses, o índice de preços registrou alta de 2,95% em 2017, 3,34 p.p. abaixo da alta de 6,29% observada em 2016, e abaixo do piso da meta de inflação estipulada pelo governo federal. Alimentação e Bebidas, que esteve entre as categorias que mais contribuíram com a desinflação, e Transportes, puxado pelo preço das passagens aéreas e da gasolina, ficaram mais caros para o brasileiro em dezembro.

Após uma quarta-feira (10) de queda acentuada do dólar influenciada pelos mercados internacionais, na noite de quinta-feira (11) a agência de rating Standard & Poor’s (S&P) anunciou o rebaixamento da nota de crédito soberano da dívida do Brasil em um ponto, passando da categoria BB para BB-, três níveis abaixo do grau de investimento. A S&P atribuiu a revisão da classificação de risco (i) aos atrasos na aprovação da reforma da Previdência, vista como indispensável para atenuar a curva de crescimento da dívida pública, (ii) às incertezas em torno das eleições presidenciais e (iii) à baixa disposição do Congresso de aprovar medidas de ajuste fiscal. Segundo fontes do governo, não se espera que as agências Fitch e Moody’s acompanhem a S&P.

Depois das especulações de que o rebaixamento seria anunciado no final de 2017, o mercado vinha considerando a possibilidade de uma revisão apenas em fevereiro, após a votação da Previdência na Câmara. Ao contrário do que se esperava pelo rebaixamento da nota, o real voltou a se apreciar na sexta-feira (12), encerrando o dia em queda de 0,36%, cotado a R$ 3,2062, queda de 0,84% na semana. Essa é a menor cotação do dólar em 12 semanas, chegando a ser cotado abaixo dos R$3,20 durante o pregão. É a primeira vez que esse suporte é rompido desde outubro de 2017. A continuidade do movimento de queda na sexta-feira (12) pode ser explicada pelo cenário internacional, mas também pelos olhos que o mercado olhou o rebaixamento de nota pela S&P. Acredita-se que esse rebaixamento servirá como “aviso” aos parlamentares, que precisarão avançar nas agendas da reforma, de maneira a retomar a credibilidade da economia brasileira.

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