Cenário político brasileiro tende a fortalecer o dólar nos próximos meses

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos para as eleições deste ano devem manter a moeda brasileira em níveis mais depreciados em relação ao dólar nos próximos meses, segundo análise da consultoria INTL FCStone, que publicou suas perspectivas de mercado em relatório recentemente divulgado, o “Trimestral de Perspectivas para Commodities”.

“Considerando o quadro de candidatos e as pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora, a expectativa é de que as eleições deste ano sejam uma experiência aversiva para o mercado”, explica o Analista do grupo, Vitor Andrioli. Diante dessa conjuntura, os investidores devem se manter em modo de cautela, mantendo o dólar valorizado.

Mesmo preso, Lula deve ter papel importante na disputa presidencial, seja como candidato, como quer o Partido dos Trabalhadores (PT), como cabo eleitoral para correligionários, ou ainda abençoando uma aliança do PT com outras legendas da esquerda/centro esquerda.

Pela Lei da Ficha Limpa, Lula deve ser considerado inelegível pela Justiça Eleitoral e, por essa razão, provavelmente terá o registro de sua candidatura negado até meados de setembro. “Com poucas chances de ter o ex-presidente como seu representante, o PT deverá trabalhar com o objetivo de conduzir seus eleitores para uma candidatura de perfil mais próximo às ideias que defende”, explica Andrioli, da INTL FCStone. “O PT e a esquerda brasileira são associados pelos investidores com uma política econômica menos comprometida com o ajuste das contas públicas e com a agenda de reformas pró-mercado iniciada pelo governo Temer”, reforça.

Já do ponto de vista econômico, a consultoria pondera que a sazonalidade do movimento de câmbio brasileiro e uma maior disposição do Banco Central a intervir no mercado cambial podem contribuir com uma apreciação do real nos próximos meses. O mês de abril costuma concentrar um volume amplo de entrada de divisas no país, associado às exportações da safra de grãos, o que tende a pressionar as cotações do dólar para baixo.

No cenário externo, a INTL FCStone destaca que os fatores que podem contribuir para uma apreciação do dólar nos próximos meses são o reingresso massivo dos lucros de multinacionais americanas em função da reforma tributária aprovada no final do ano passado, e a aceleração dos salários e da inflação nos Estados Unidos, levando à adoção de postura mais hawkish do Fed.

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