Quais variáveis influenciam a formação de preços do açúcar e do etanol?

O dólar norte-americano se destaca por ser a moeda mais difundida dentro do sistema econômico mundial, sendo utilizado para uma gama ampla de transações e atuando como referência para a precificação de bens.

O Dollar Index (DXY), por sua vez, evidencia o comportamento do dólar norte-americano frente a uma cesta de seis moedas de outras economias desenvolvidas e que mantém uma parceria comercial com os Estados Unidos. Esta cesta é composta pelo euro (zona do euro), iene (Japão), libra esterlina (Reino Unido), dólar canadense (Canadá), coroa sueca (Suécia) e franco suíço (Suiça). Para isso, o índice pondera as moedas de acordo com o seu valor e relevância, da seguinte forma:

Figura 1. Composição do Dollar Index

Elaboração: StoneX

Por ser considerado um ativo de segurança, o dólar costuma se apreciar em momentos de maior aversão ao risco. Consequentemente, a valorização do DXY sinaliza maior incerteza no ambiente macroeconômico, implicando em uma menor procura por ativos mais voláteis, como é o caso das commodities.

Fazendo um paralelo com o açúcar #11 (ICE Futures), é possível observar, em geral, uma correlação inversa com o DXY. Em momentos de maior aversão ao risco, os especuladores começam a buscar por ativos mais seguros, deixando de investir em commodities. O contrário também é valido, já que o ambiente favorável ao maior apetite por riscos também atua como fator de suporte ao #11, em detrimento da moeda norte-americana. Entre maio/20 e outubro/21, por exemplo, a correlação negativa entre estas variáveis foi próxima de 60%.

Figura 2. Dollar Index e contrato contínuo do #11 na ICE/NY

Fonte: CommodityNetwork Traders’Pro.

Porém, existem outras variáveis que influenciam a formação do preço do açúcar no mercado internacional, com destaque para os seus próprios fundamentos de oferta e demanda. Em que pese a correlação negativa do DXY com o #11, vale notar que, no Brasil, a valorização do dólar significa uma receita maior para os exportadores de açúcar, servindo de incentivo para aumentar o direcionamento de açúcar ao exterior.

Ao levar em consideração que o Brasil é um dos principais produtores do adoçante em nível global, a valorização do dólar comercial implica em maior disponibilidade do produto no mercado externo, trazendo maior conforto no balanço de O&D da commodity e pressionando as cotações do #11. É evidente, portanto, que a dinâmica cambial tem grande peso dentro do sistema econômico, já que possibilita transações entre os diversos tipos de mercados e influencia a construção da demanda e oferta global.

Justamente por isso, a movimentação do câmbio não afeta apenas o açúcar, mas uma ampla variedade de commodities. Para o etanol, o impacto do dólar comercial é ainda mais presente, já que responde à própria formação de preços dos combustíveis no Brasil. Isso porque a Petrobras segue a política de paridade de preços com o mercado internacional – isto é, qualquer oscilação cambial e/ou nos futuros do petróleo é repassada domesticamente através de reajustes nas cotações dos derivados do óleo bruto nas refinarias, incluindo o diesel e a gasolina.

Diante disto, o preço da gasolina nos postos brasileiros é composto pelos reajustes da estatal, impostos, custo de mistura do etanol anidro, distribuição e revenda. Dentre estes, cerca de 33,6%* do valor do combustível fóssil se refere ao preço praticado nas refinarias – e que, portanto, oscila com base no mercado internacional. *valor registrado em agosto/21.

E como essa dinâmica impacta o mercado do etanol? De modo geral, o preço do álcool oscila buscando o nível de paridade energética com a gasolina nos postos, que é de 70%. Ou seja, o seu preço deve representar até 70% do valor da gasolina para se mostrar vantajoso ao consumidor final. Sendo assim, a valorização do dólar comercial e/ou do petróleo atua como fator altista sobre o preço da gasolina no Brasil – abrindo margem para a elevação da cotação do etanol.

Em termos práticos, as usinas sucroenergéticas costumam responder aos reajustes positivos da Petrobras elevando o preço de comercialização do álcool. Em paralelo, revisões negativas sobre a cotação do combustível fóssil nas refinarias também resultam em desvalorização do biocombustível no mercado doméstico – de modo a manter a paridade de preços atrativa nas bombas.

Figura 3. Consumo e share do hidratado no Centro-Sul

Fontes: ANP e UNICA

Além dessas variáveis, os preços do açúcar e do etanol também apresentam correlação entre si. Isto se dá pela própria cadeia produtiva, já que ambos os produtos provêm da mesma matéria-prima, a cana-de-açúcar. Quando o açúcar valoriza, o biocombustível segue esse movimento de alta, de modo a manter sua atratividade no momento de definição do mix produtivo das usinas, e vice-e-versa. Seguindo essa mesma lógica, o petróleo também tem interferência indireta sobre os preços do açúcar – ou seja, a alta do óleo bruto também confere suporte aos futuros do adoçante nas bolsas em que é negociado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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