Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

O peso do bushel de soja e de milho

Quem acompanha o mercado de grãos, já está habituado à medida bushel, que é utilizada nas bolsas de mercadorias dos EUA, com destaque para Chicago, no caso do milho e da soja. O peso do bushel é considerado uma medida do sistema imperial, diferente do sistema métrico utilizado no Brasil, o qual tem como base as medidas de metro e quilograma.

O sistema imperial é derivado do Sistema Inglês de Medidas e Unidades que, por sua vez, tem suas origens em medidas romanas (antigas), carolíngias e saxônicas. Na época medieval, produtos agrícolas já eram vendidos em medidas de volume como bushel e galão. Ao longo do tempo “vários bushels” foram utilizados, com o volume considerado variando de acordo com o produto ou com a localidade em que era utilizado, por exemplo. No começo do século IXX existia um sistema de medidas muito variado para commodities. As commodities agrícolas eram negociadas em bushel, o qual era baseado no galão “seco” de 268,8 polegadas cúbicas.

Em 1824, o Ato Britânico de pesos e medidas substituiu todas as outras medidas em vigor, algumas que datavam de 1300, e também redefiniu unidades de medida. O bushel foi definido como equivalente a 8 galões imperiais (277,3 polegadas cúbicas na época). Mas as mudanças e revisões continuaram ocorrendo até a passagem do Ato de 1897 de pesos e medidas do Reino Unido, que se manteve praticamente inalterado até depois da segunda Guerra Mundial. A utilização do sistema métrico só começou a ser efetivamente incorporada nos anos 1960, passando a ser adotado formalmente em 1985 para o uso no comércio (principalmente internacional). Mesmo assim, as medidas imperiais continuaram sendo adotadas no comércio mais local, além de na sinalização das estradas.

Nos EUA, antes da independência em 1776, as colônias que viriam a forma o país utilizavam o sistema inglês de medidas. Com a formação dos EUA, como país, foi estabelecido na Constituição o direito de o Congresso de fixar o padrão de pesos e medidas. Mesmo assim, por vários anos, as medidas adotadas foram as utilizadas nas antigas colônias. Sugeriu-se a adoção do sistema métrico, mas o Congresso não fez nada a respeito, até que em 1832 o Tesouro definiu medidas de jardas, libras, galões e de bushels para atender a propósitos alfandegários.

Já no século XX, vários estados definiram suas próprias medidas de bushel, baseadas em peso (unidade de massa) e não tanto em volume, e que variavam de acordo com o produto e com o próprio estado, dificultando as transações comerciais.  Em 1905, o Departamento Nacional de Medidas (National Bureau of Standards) convocou uma reunião entre os estados para discutir a falta de uniformidade nos padrões, encontro que se tornou anual, sendo Chamado de Conferência Nacional de Pesos e Medidas (NCWM, na sigla em inglês). Em 1915, as primeiras definições foram publicadas, mas o bushel não foi totalmente padronizado, com a Bolsa de Chicago utilizando diferentes volumes para definir o bushel para diferentes commodities. O bushel de milho equivalia a 56 libras, o de soja e de trigo a 60 libras, ou seja, é uma medida de volume, que precisa levar em conta a densidade e as características do produto.

Essa determinação para o bushel na Bolsa de Chicago é a que continua sendo utilizada até hoje.

1 bushel de milho = 56 lb = 25,401 kg;

1 bushel de soja ou de trigo = 60 lb = 27,216 kg.

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