Diferença entre bolsa de valores e bolsa de mercadorias e futuros

É comum que pessoas não familiarizadas com o mercado financeiro se confundam quando alguém que atua no mercado financeiro diz que trabalha em “operações na Bolsa”.

Grande parte daqueles que não atuam no mercado financeiro toma o que é mostrado em filmes como “O Lobo de Wall Street” ou séries de TV como “Billions” como base para entender a atividade. Não é mentira que existiram e existem empresas que trabalham dessa forma, porém o mercado de operações possui outras peculiaridades.

Existem dois tipos de bolsa, a Bolsa de Valores e a Bolsa de Mercadorias e Futuros. Quais são, então, as diferenças entre as duas?

A Bolsa de Valores negocia ações, que são basicamente pequenas parcelas de empresas compradas e vendidas dentro desse ambiente controlado. Essas pequenas parcelas, conhecidas como papéis ou ações, são emitidas por empresas de capital aberto chamadas de Sociedade Anônima, ou S.A. Portanto, as empresas brasileiras que têm na sua Razão Social o termo S.A. são empresas que podem oferecer e ter suas ações negociadas na Bolsa de Valores.

Além delas, existem as empresas de capital fechado, das quais os sócios possuem cotas. Essas são chamadas de empresas de sociedade limitada e têm na sua Razão Social o termo LTDA. Para que uma empresa de sociedade limitada se torne uma S.A. e passe a ter ações negociadas na Bolsa de Valores, ela deve fazer um IPO, que quer dizer Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial). Dessa forma, a empresa de sociedade limitada abre seu capital e qualquer pessoa, fundo de investimento, ou outra empresa que adquira ações nessa IPO passa ter uma parcela de propriedade da empresa. As empresas de capital fechado geralmente realizam IPO quando buscam um grande volume de dinheiro, para que possam expandir seus negócios com abertura filiais, aquisição de novas máquinas ou outros investimentos.

Qualquer empresa pode fazer isso, desde que siga as regras estabelecidas na Bolsa para poder passar a ser listada e assim ter suas ações negociadas. As empresas podem ser públicas, como a Petrobrás, ou privadas, como a Gerdau.

Se um investidor ou pessoa comum compra uma ação que hoje vale R$ 25,00 e vende essa ação daqui um mês por R$ 30,00, a diferença de R$ 5,00 é o valor que o investidor ganhará (sem considerar taxas e impostos).

Já a Bolsa de Mercadorias e Futuros negocia commodities através de derivativos agrícolas e ativos financeiros, como taxas de juros, câmbio, e também através de títulos e índices.

No entanto, essas mercadorias, como commodities agrícolas (milho, soja e açúcar, por exemplo) não são comercializadas fisicamente. Em outras palavras, ninguém chega na Bolsa de Mercadorias e Futuros com 50 sacas de milho em um caminhão para vender, assim como ninguém chega com um caminhão vazio para comprar 50 sacas de milho. Apesar de essas operações físicas ocorrerem no passado, modificações às regras foram feitas e, hoje em dia, a maioria dos contratos é apenas financeiro, para estabelecer um preço de compra e venda.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros, são negociados contratos. No caso do milho, por exemplo, um contrato equivale a 50 sacas de 60kg, ou seja, 27 toneladas, com características estabelecidas pela bolsa. Se a cotação desse contrato na Bolsa hoje for de R$ 20,00 e alguém vendê-lo amanhã por R$ 22,00, no final do dia essa pessoa tem que pagar para a Bolsa R$ 2,00. Esse pagamento de R$ 2,00 se chama ajuste diário e essa é a grande diferença entre a Bolsa de Mercadorias e Futuros e a Bolsa de Valores.

Na Bolsa de Valores, se compram ações e o resultado de lucro ou prejuízo só virá realmente quando a ação for vendida, o que pode ocorrer no mesmo dia, após um dia, um mês, um ano ou dez anos. Por outro lado, na Bolsa de Mercadorias e de Futuros, é necessário ajustar o preço do contrato diariamente, pagando ou recebendo essa diferença.

Até 2008, havia no Brasil a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que negociava ações, e a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), que negociava mercado futuro. As duas se fundiram formando uma única Bolsa, a BM&FBovespa. Em 2017, a ocorreu a fusão entre a BM&FBovespa e a CETIP (Central de Custódia e Liquidação de Títulos), dando origem à B3 ([B]3 em referência às palavras Brasil, Bolsa, Balcão), que está ligada a todas as bolsas de valores brasileiras. No entanto, mesmo sendo uma única Bolsa, elas continuam atuando nos diferentes segmentos.

Matéria escrita por Eduardo Hilário, colaborador INTL FCStone até dezembro de 2018.

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