Na contramão da oferta, embarques de soja surpreendem

Em meio a quebra de safra, exportações de soja alcançam recorde para o mês

Contrariando o contexto de baixa na expectativa de produção de soja, que deve acarretar em embarques também mais tímidos, 2019 acumulou exportações recordes em janeiro, considerando o histórico do mês, fechando em 2,15 milhões de toneladas de oleaginosa, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).
Na última sexta-feira (01) a INTL FCStone havia publicado sua estimativa de exportações totais para 2019, em 68 milhões de toneladas, valor que demandaria uma média mensal de embarques em 6 milhões de toneladas até dezembro.

+Leia também: Brasil produz menos soja, mas deve recuperar ‘safrinha’ de milho

A consultoria avalia que a oferta do grão, no ciclo 2018/19 (calculada em 112,2 milhões de toneladas), não deve ser suficiente para comportar exportações acima de 68 milhões de toneladas, já que o ano de 2019 iniciou-se praticamente sem estoques, após o contexto de embarques recordes em 2018.
“Com essa produção menor, as exportações brasileiras devem voltar a níveis pré-guerra comercial, mesmo no cenário em que a taxação chinesa sobre a soja norte-americana continue em vigor”, explica a analista de mercado da consultoria, Ana Luiza Lodi.

Estimativas de exportação de soja (mil toneladas); Fontes: Secex; INTL FCStone

Caso haja uma continuidade da guerra comercial, o grupo espera haver uma maior busca pelo produto brasileiro, o que, em meio ao cenário de menor oferta, pode gerar dificuldades no atendimento do consumo doméstico da oleaginosa para esmagamento. Neste ano, está previsto aumento da mistura do biodiesel no diesel para 11%, o que deve deixar um excedente ainda menor de óleo de soja para ser exportado.
Por outro lado, caso China e EUA entrem em um acordo, os volumes exportados pelo Brasil podem, inclusive, ficar abaixo das 68 milhões de toneladas esperadas pela INTL FCStone, uma vez que há preocupações com a demanda chinesa total por farelo de soja, diante dos surtos de gripe suína africana, além dos esforços feitos pelo país para diminuir a dependência da oleaginosa durante o período de guerra comercial.

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