Indefinições comerciais e produção mais enxuta na Austrália devem beneficiar exportações brasileiras de algodão em 2018/19

Com a expansão da área plantada e perda de participação de outros players, Brasil deve assumir posição de segundo maior exportador de algodão

 

No último trimestre do ano, o mercado de algodão será marcado pela validação da perspectiva atual de um balanço de oferta e demanda mais robusto em 2018 — com a recuperação das safras nos Estados Unidos e China, além do avanço da produção no Brasil —, e pela incerteza orbitando o futuro das relações comerciais entre o principal exportador mundial de algodão e a principal consumidora global, Estados Unidos e China.

+ Esse conteúdo faz parte do relatório “Perspectivas para Commodities – 4º trimestre”, que pode ser baixado e lido na íntegra aqui

“O avanço da cultura no Brasil, e a perspectiva de um recuo de 44% da produção da Austrália, devido à seca, devem favorecer as exportações brasileiras no próximo ciclo, se tornando o segundo maior exportador mundial”, analisa a consultoria INTL FCStone, em relatório.
De acordo com o balanço de Oferta & Demanda de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma redução de 2,2% dos carregamentos de algodão dos EUA no ano-safra corrente, totalizando 3,37 milhões de toneladas. “A contração da estimativa decorre principalmente de cancelamentos de compras previamente realizadas por fiações chinesas, levando a uma diminuição do ritmo de vendas após o início da vigência das tarifas de importação sobre fardos norte-americanos”, explica a analista de mercado da INTL FCStone, Gabriela Fontanari.
Isto ocorre em um contexto no qual o USDA continuamente eleva suas estimativas para a produção dos EUA. No entanto, a passagem do furacão Michael pelo sudeste do país, atravessando a Georgia, segundo maior estado produtor, levou chuvas de até 200mm de chuvas à região em época de finalização da abertura dos capulhos e início da colheita. Conforme o avanço da colheita nos próximos meses, os cotonicultores da região podem contabilizar perda de qualidade da fibra dos algodoais afetados pelo furacão. “A possibilidade de perda de produtividade das lavouras poderia acarretar em uma revisão das estimativas atuais do USDA, consequentemente diminuindo o excedente exportável do país em 2018/19”, avalia a analista Gabriela.
Na Ásia, a China deve finalizar a colheita da safra 2018/19 nas próximas semanas, com uma estimativa de produção de 5,7 milhões de toneladas, de acordo com a publicação Beijing Cotton Outlook (BCO), representando um recuo de apenas 0,34% frente ao observado em 2017. “A perspectiva de uma oferta maior no mercado interno garantiu à indústria têxtil nacional um fôlego adicional ao buscar fardos no mercado internacional, como observado nos cancelamentos dos carregamentos de fardos dos EUA”, afirma a INTL FCStone, em relatório. A maior disponibilidade de fibra de melhor qualidade levou a uma queda de 20,8% nas vendas dos leilões de 2018 da Reserva Estatal.
Fardos de algodão de outros grandes exportadores, como o Brasil, se tornaram mais atrativos às fiações chinesas nos últimos meses, fornecendo a oportunidade para os cotonicultores brasileiros elevarem seu market share nas importações da China.
Nos próximos meses, as exportações do Brasil se aquecem e adentram o mercado internacional, com estimativa de atingirem 1,0 milhão de toneladas em 2017/18, de acordo com a Conab. O fortalecimento da cotonicultura brasileira deve levar a um aumento expressivo de 22% da área plantada em 2018/19, segundo a Abrapa, com início do plantio no final do ano.

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