Texto escrito por Carolina Barbosa, jornalista da INTL FCStone responsável pelo relacionamento com a Imprensa.

Impactos da crise na Amazônia vão além de questões ambientais

Queimadas podem se alastrar para as relações comerciais do agronegócio brasileiro

 

O Brasil tem sido marcado por importantes desastres ambientais em 2019. O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro, repetiu o ocorrido em Mariana no final de 2015, com enorme perda humana. A escalada do desmatamento e dos focos de incêndio no bioma amazônico, durante os meses mais secos do ano, queimaram a imagem do país no exterior e podem trazer impactos para as relações comerciais do agronegócio do país. Mais recentemente, o surgimento de manchas de óleo atingindo grande extensão do litoral do Nordeste e do Sudeste, afeta a pesca e o turismo, além dos danos evidentes à vida marinha.

+Leia também: Meio Ambiente e Agronegócio: a crise das queimadas na Amazônia

Agosto de 2019 destacou-se no histórico como um dos meses com maior número de queimadas na Amazônia: foram 30,9 mil focos ativos de incêndio, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), número quase três vezes superior em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Além da reação negativa da opinião pública às queimadas em território amazônico, as preocupações quanto a possíveis impactos comerciais ganharam força, principalmente porque o fechamento do acordo entre Mercosul e União Europeia ocorreu muito recentemente, depois de quase 20 anos de negociações. “Discordâncias profundas sobre questões ambientais podem acabar atrasando ou mesmo impedindo que o tratado entre em vigor”, avalia o analista de mercado da StoneX, Vitor Andrioli. A União Europeia é uma das grandes defensoras da causa ambiental no cenário internacional.

Diante desse cenário, a questão ambiental envolvendo as queimadas na Amazônia têm adquirido cada vez mais caráter econômico. “Alguns países, como França e Irlanda, já vieram a público declarando abertamente seu posicionamento contrário ao estabelecimento do tratado entre Mercosul e União Europeia nos termos em que ele está posto, demandando um compromisso mais claro do Estado brasileiro na preservação ambiental e no combate às mudanças climáticas”, lembra o analista Andrioli.

Embora os acordos já firmados continuem avançando conforme o previsto, outros tipos de barreiras podem impactar negativamente a compra de produtos brasileiros, como resultado da insatisfação dos agentes econômicos com questões ambientais no país. “Podem ocorrer, por exemplo, boicotes de empresas e de consumidores individuais, que se recusam a comprar produtos relacionados a práticas prejudiciais ao meio ambiente”, explica.

A opinião pública negativa em relação à preservação da região amazônica pode ser associada aos produtos do agronegócio nacional e traduzir-se em uma menor aceitação pelos consumidores estrangeiros aos alimentos de origem brasileira ou aos produtos que utilizam insumos do país em sua fabricação.

“A repercussão internacional do aumento das queimadas no Brasil acarretou no anúncio de boicotes de mais de 20 marcas do setor de vestuário e acessórios às importações de couro brasileiro. As preferências individuais dos consumidores também tendem a moldar as atitudes das empresas nas escolhas de seus fornecedores”, alerta a StoneX, em análise especial.

Segundo pesquisa do Eurobarômetro, citada pela consultoria, cerca de 18% dos cidadãos da União Europeia avaliam o impacto ambiental dos alimentos que consomem e ajustam suas escolhas preferindo produtos com uma pegada de carbono menor. Esse percentual é maior em países como Alemanha, França, Reino Unido e Países Baixos, chegando a quase metade dos entrevistados pela pesquisa na Finlândia e na Suécia.

No estudo divulgado na última semana para seus clientes, a StoneX reforça a mensagem de que a conservação ambiental e o agronegócio brasileiro podem desenvolver-se em paralelo. “Considerando a utilização do território atual, o Brasil tem potencial quase ilimitado para expandir seu setor agrícola em conjunção à intensificação da pecuária. Em tese, seria possível praticamente triplicar a extensão destinada às atividades agrícolas apenas fazendo a substituição de pastagens com baixíssimo rendimento” esclarece a consultoria. Por meio de práticas mais sustentáveis e intensivas, a agricultura e pecuária nacionais poderiam ampliar a produção sem a necessidade de avançar sobre áreas de vegetação nativa.

A análise especial sobre o impacto econômico das queimadas na Amazônia pode ser acessada na íntegra em: https://www.mercadosagricolas.com.br/amazonia

Texto escrito por Carolina Barbosa, jornalista da INTL FCStone responsável pelo relacionamento com a Imprensa.

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