Carolina Barboza

Carolina Barboza

Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas. Trabalha desde 2014 na Assessoria de Imprensa da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de comunicação e marketing.

EUA: China deve reduzir sua dependência comercial dos americanos

Quanto à guerra comercial, o economista-chefe da INTL FCStone, Arlan Suderman, afirma que mesmo os produtores continuam mostrando alinhamento com a postura de Trump

 

No cenário atual, considerando a área estimada pelo USDA e a produtividade levantada em pesquisa de safra junto aos clientes da INTL FCStone nos EUA, o economista-chefe da INTL FCStone, Arlan Suderman, projeta um rendimento de 175 sacas por hectare contra 177 sacas do número oficial do USDA, o que resultaria em uma produção final de 344 milhões de toneladas. No caso da soja, a produção ficaria em torno de 97 milhões de toneladas, com uma produtividade de 52 sacas por hectare e os estoques na casa de 20 milhões de toneladas.

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Em visita ao escritório da INTL FCStone em Des Moines, durante a X Viagem Comercial aoa EUA, Arlan comparou a situação da safra atual com a safra de 1993, quando também houve grandes atrasos por causa do clima. Naquela ocasião, a confirmação do nível de produção do país não chegou antes do outubro, situação que pode se repetir neste ano. Na sua opinião, ainda devemos ver uma redução na produção dos Estados Unidos tanto para soja quanto para milho. Mesmo em relação à área, podem ocorrer revisões, com possibilidade de haver mais áreas que deixaram de ser semeadas. Arlan destacou que o ratio entre o contrato de novembro da soja e o de dezembro do milho caiu consideravelmente durante o período de plantio neste ano, o que seria um incentivo à semeadura do milho. Mas após o encerramento da janela, o ratio voltou a subir um pouco.


Em relação à guerra comercial, o economista-chefe enfatizou que o objetivo do governo Trump é mais amplo, fazendo frete aos objetivos chineses de que o país se torne a maior economia do mundo. Arlan também destacou como as questões militares estão atreladas ao desenvolvimento econômico também para a China. Perguntado sobre o apoio dos produtores agrícolas dos Estados Unidos, que estão sendo diretamente afetados pela guerra comercial, comentou que a população do país, em geral, incluindo os produtores, apoia as medidas tomadas por Trump em função da forma como a China conduzia a relação comercial entre os dois países mesmo antes do início da guerra, já com a adoção de tarifas e barreiras contra produtos norte-americanos.
Caso algum acordo seja alcançado em breve, a China deve voltar a comprar produtos agrícolas americanos. Mesmo assim, há o receio de que, após alguns anos, a China volte a adotar as mesmas medidas que deixaram os americanos insatisfeitos. Por isso, o objetivo é alcançar um acordo amplo entre os dois países, o que pode não acontecer tão cedo. Arlan acredita que, devido a tudo isso, possivelmente a China investirá e incentivará, cada vez mais, na produção desses produtos em outros países, reduzindo, assim, sua dependência comercial dos americanos.
Sobre a Peste Suína Africana, ele estima uma redução acentuada do rebanho de suínos da China. Mesmo assim, a queda do consumo do farelo de soja deve ficar em apenas 11%, em função da substituição do uso de restos de comida na alimentação animal, não somente na indústria de suínos, mas também de outras proteínas, cuja demanda tem crescido diante da menor disponibilidade de carne suína. O milho também não teria seu consumo fortemente impactado pela mesma razão. Além disso, no caso do cereal, a China está investindo na produção de etanol.
Na sua opinião, a recuperação da indústria de suínos no país deve acontecer somente entre 5 a 7 anos, o que continuaria impactando a importação de soja. Isso irá beneficiar os demais países produtores de carne, principalmente suína, desde que a doença não se espalhe e acabe atingindo também estes países.
Arlan também respondeu perguntas de nosso grupo, indicando que mesmo com a situação de demanda mais fraca de soja da China, a cultura ainda seria mais vantajosa no Brasil, pelo menos na primeira safra, já que o país asiático deve continuar dando preferência ao grão brasileiro. Além disso, o milho pode ser plantado no inverno, com a safrinha ainda tendo potencial para crescer.

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