Carolina Barboza

Carolina Barboza

Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas. Trabalha desde 2014 na Assessoria de Imprensa da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de comunicação e marketing.

EUA: a percepção de que Iowa deve ter uma safra boa foi reforçada pelas duas visitas realizadas no segundo dia de viagem

Além disso, o apoio às medidas de Trump continuou aparecendo durante as conversas

 

O segundo dia de visitas da X Viagem Comercial da INTL FCStone começou na Golden Grain Energy, que produz etanol de milho em Iowa, no EUA. Em 2015, a empresa ultrapassou a marca de 1 bilhão de galões de etanol produzidos, sendo a primeira do estado a alcançar essa marca e a segunda do país. Iowa concentra o maior número de plantas de etanol dos EUA, com um total de 42, enquanto no país como um todo, há cerca de 240 plantas.

+Leia também: EUA: Impactos sobre as lavouras de Iowa foram amenizados, segundo Summit Farms

Todo o processo de produção do biocombustível foi explicado passo a passo e, em seguida, o grupo pôde visitar a unidade industrial da planta. Em média, uma tonelada de milho resulta em 107 galões de etanol, 300 toneladas de DDG e 14,5 kg (32 libras) de óleo de milho. Cabe destacar que o óleo de milho é destinado para biodiesel e também para a indústria de ração. Na alimentação de poedeiras, a utilização de óleo de milho resulta em uma gema com coloração mais escura, o que é valorizado pelo mercado.

No caso do DDGs, o padrão produzido por eles é com umidade de 10% e que pode ser armazenado por um longo período. Mas também produzem o WDG, com umidade de 45%, que tem uma validade de no máximo 7 dias e é utilizado por confinamentos de bovinos próximos da planta da Golden Grain. No caso do uso de DDG para frangos, disseram que há alguma resistência, uma vez que a utilização do derivado do milho na ração tende a deixar a carne com uma coloração mais amarela.

Além de vender seus produtos no mercado interno, a empresa também exporta, tanto etanol quanto DDGs. Até 2017, as exportações eram mais concentradas no DDGs e não no etanol, mas em 2018, essa dinâmica mudou, com as exportações do biocombustível ganhando força, que levou o valor exportado a superar US$ 100 milhões, tendo como principal destino o México.

Quanto a questões mais técnicas, a Golden Grain tem aumentado sua eficiência ao longo do tempo, com um aumento da taxa de conversão de milho em etanol e com a diminuição do uso de energia, tanto de gás natural, como elétrica. Em relação aos custos, há muita competição pelo milho na região, o que acaba resultando em um pagamento de prêmio para adquirir o produto. O processamento anual de milho pela empresa alcança cerca de 1 milhão e toneladas (40 milhões de bushels) e eles estocam o cereal somente por cerca de 10 dias. Outro ponto destacado é a necessidade de se adicionar um pequeno percentual de gasolina no etanol, para torná-lo totalmente impróprio para o consumo humano. Essa medida também resulta em economia com impostos.

Em relação à safra norte-americana, não há maiores preocupações quanto à disponibilidade de milho na região, já que Iowa foi um dos estados menos afetados. Por outro lado, as margens do etanol estão mais apertadas. Cerca de 10% da indústria dos EUA opera com capacidade ociosa ou está completamente parada.

Cooperativa Dubuque

No período da tarde, durante o segundo dia de viagem, o grupo seguiu em direção a cidade de Dubuque, também no estado de Iowa, fazendo uma parada em Dunkerton, onde visitou a cooperativa que leva o mesmo nome da cidade. Destaca-se que a cidade possui apenas 900 habitantes.

A cooperativa conta com cerca de 400 membros, dos quais somente 150 estão ativos. Muito membros estão se aposentando e tem havido uma concentração maior de terras, com os que ainda atuam comprando terras do que estão parando. O tamanho médio atual da propriedade é de 600 acres (243 hectares). A atuação da empresa vai desde o fornecimento de insumos, como sementes químicos e fertilizantes, passando pela originação de grãos, até a produção e comercialização de ração.

A cooperativa de capacidade de armazenamento de 175 mil toneladas. Cerca de 75% do que eles movimentam de grãos é milho. Eles consideram que a margem do milho é melhor, uma vez que a demanda da região é muito forte, o que afeta positivamente o basis. Todo o cereal é direcionado ao mercado interno, não havendo volumes exportados.

É importante destacar que a cooperativa só tem essa unidade localizada em Dunkerton e eles atribuem a longevidade da empresa a boas práticas, como utilizar ferramentas e hedge. Mesmo entre os produtores, a prática de mitigar risco de preço está ganhando espaço, à medida de novas gerações passam a assumir os negócios. Além disso, a cooperativa oferece uma logística muito boa para o produtor, com uma linha férrea de cerca de 50 km de extensão passando pela área da empresa.

Em relação aos questionamentos levantados, eles demonstraram estar de acordo com as medidas adotadas pelo presidente Trump, destacando que o mercado é cíclico, e que uma recuperação para o setor agrícola, muito afetado pela guerra, ocorrerá. Além disso, eles acreditam na reeleição de Trump no próximo ano, diante da falta de um candidato forte do partido democrata.

Quanto aos dados do USDA, eles já esperavam uma área maior de milho e menor de soja, considerando que na região era difícil encontrar lavouras de soja. Quanto à produtividade, também foi destacado o bom desempenho de Iowa neste ano.

 

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