Custos de produção darão suporte aos preços de fertilizantes no quarto semestre

Demanda firme após safras recordes ao redor do globo sustentam tendência de alta em trimestre historicamente lento

 

Os custos das matérias-primas da fabricação de fertilizantes se encontram em patamares elevados e em tendência de alta, resultando em ritmo mais agitado para o mercado, que historicamente apresenta movimento oposto: o quarto trimestre costuma ser de calmaria e preços mais baixos, influenciado pela interrupção dos trabalhos no campo no hemisfério norte, devido ao inverno, e às paradas para manutenção em diversas fábricas.

+ Esse conteúdo faz parte do relatório “Perspectivas para Commodities – 4º trimestre”, que pode ser baixado e lido na íntegra aqui

“Somando os custos de produção aos baixos estoques globais e à demanda acima do comum, esperamos preços bem sustentados nos próximos meses, talvez mantendo a tendência de alta”, avalia o analista de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende. “Com as margens dos produtores ainda bastante apertadas no início do quarto trimestre, e tendência de alta dos custos de produção, é difícil visualizar um cenário de queda significativa dos preços no curto prazo”, reforça.

Em relação às matérias-primas, o gás natural é a principal delas. O gás é usado na fabricação de amônia, ingrediente dos fertilizantes nitrogenados e dos fosfatados DAP e MAP, e também é uma importante fonte de energia para a indústria. Seu preço bateu as máximas desde 2014, impulsionado pela alta do petróleo e pelo rápido crescimento da demanda na Ásia, onde substitui o carvão como uma fonte de energia mais limpa. “Tendo em vista o aperto no balanço global de petróleo – principalmente após o início das sanções contra o Irã em novembro – e a chegada do inverno no hemisfério norte – quando a demanda por gás para aquecimento dispara –, o cenário permanece de alta para o combustível”, explica Rezende.

Outro insumo importante é o enxofre, particularmente para os fosfatados. Seu preço também se encontra em tendência de alta, tendo como o principal fator para isso a menor produção. A principal fonte de enxofre é o refino de petróleo, de seus derivados e do gás natural. Embora no longo prazo a oferta do enxofre deve subir com a crescente exploração de petróleo e gás azedos no Canadá e regulações mais restritas para o teor de enxofre em combustíveis marítimos, no curto prazo a oferta é lesada pela produção declinante da Venezuela e pelas sanções contra o Irã.

Quanto ao mercado de potássio, entregas para a China e Índia, que recentemente concluíram suas negociações de contratos anuais de importação, devem manter a disponibilidade baixa no mercado à vista.

No lado da demanda, safras recordes de milho, trigo, arroz e soja nos principais produtores agrícolas do mundo têm mantido o consumo de fertilizantes elevado, apesar dos preços mais altos. “Mesmo com a redução sazonal das aplicações com a aproximação do inverno no hemisfério norte, compras para abastecimento de estoques devem se manter”, resume o analisa Fábio Rezende, da INTL FCStone.

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