João Botelho

João Botelho

Economista, com graduação na UNICAMP e especialização em Finanças Corporativas pela mesma Universidade.

Apesar de veranico, produtividade de cana em Ribeirão Preto deve ser maior

Ribeirão Preto contorna clima adverso e apresenta produtividade 5% maior em 2019/20

 

Visita a usina na região de Ribeirão Preto mostrou situação também positiva para a produção de cana-de-açúcar no ciclo corrente. Mesmo que a região tenha apresentado, assim como a maior parte do estado de São Paulo, veranico entre dezembro e o começo de fevereiro deste ano, os solos argilosos da região ajudaram a reter a umidade advinda das chuvas abundantes nos meses anteriores.

+ Leia também: Catanduva espera aumento de 5% na produtividade de cana-de-açúcar

Além disso, muitas plantações da região estão em altitudes superiores a 800 metros acima do nível do mar, o que leva a temperaturas mais brandas no verão e, consequentemente, a menor perda de umidade devido à evapotranspiração. Com isso, o balanço hídrico da maioria das plantações foi positivo em relação à safra passada, melhorando as perspectivas para a produtividade agrícola.
Quanto à geada, os impactos foram muito heterogêneos entre os produtores. Em áreas planas com plantações extensas, algumas lavouras foram afetadas de maneira uniforme, porém com impactos muito limitados sobre a produtividade das mesmas. Em áreas com declividade maior, as baixadas na maioria das vezes apresentaram geadas relativamente fortes, embora estas representem uma parcela pequena da área total.
No geral, comentou-se que ao redor de 3% da área que será colhida nesta safra foi afetada, levando à necessidade de adiantamento da colheita. Não foram notados impactos sobre a produtividade agrícola, mas o ATR apresentou redução de 5% a 6%. Das áreas com cana que será colhida no próximo ano, ao redor de 1% foi afetada pela geada, levando à necessidade de replantio.


No total da safra, considerando todos estes fatores, espera-se aumento na produtividade agrícola em 5% na comparação com 2018/19. Este crescimento é muito menor do que o que vem sendo registrado até o momento, uma vez que o começo da colheita focou em áreas com cana mais nova, que reagiu de maneira mais intensa ao clima favorável. Vale destacar que a idade média dos canaviais na região é relativamente elevada, superando 4,5 anos em alguns casos, mas ainda assim consegue manter produtividade elevada devido às características do solo e tratos culturais.
A queda no ATR médio também é notável, com algumas usinas registrando queda de mais de 7 Kg/ton em relação à safra passada, que foi marcada por concentração muito elevada de açucares. Assim como o restante do Centro-Sul, entretanto, espera-se que o diferencial em relação ao ano passado se estreitará nos próximos meses, provavelmente para 2 a 3 Kg/ton de queda.
Comenta-se que o maior custo logístico gerado pelo aumento do ATR foi mais do que compensado pelo incremento na produtividade agrícola, reduzindo assim o custo total de produção do açúcar e do etanol. Outro ponto de interesse é que as chuvas mais intensas no começo da safra levaram a aumento do gasto com herbicidas, uma vez que a maior umidade criou ambiente favorável para o crescimento de plantas daninhas, ainda que este aumento não tenha sido suficiente para reverter a queda dos custos totais.
Quanto ao mix produtivo, assim como na maioria das regiões, as usinas vêm focando na produção de etanol o máximo possível de matéria-prima, o que é notável considerando que a região de Ribeirão Preto é tradicionalmente mais açucareira. O elevado diferencial entre os produtos, entretanto, reduziu o incentivo para a produção do adoçante.

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