João Lopes

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.
Este texto teve a colaboração de Ana Luiza Lodi.

Safra de grãos argentina ainda é motivo de preocupação

Produção segue sujeita a novas perdas e clima continuará sendo acompanhado de perto

Nos últimos meses, um dos principais assuntos no mercado de grãos tem sido a safra sul-americana 2021/22, que vem enfrentando um clima bastante adverso ao longo dos últimos meses no Sul do continente para o desenvolvimento de suas culturas de verão.

No Brasil, os cortes da safra de soja e de milho verão são significativos, com a Conab estimando 125,5 milhões para a produção da oleaginosa e 24,4 milhões para o cereal.

Destaca-se também o Paraguai, que, apesar de ter uma produção menor, também deve registrar perdas muito significativas. O USDA estima uma produção de 6,3 milhões de toneladas para o país, frente a cerca de 10 milhões produzidas no ciclo passado. Destaca-se que esmagadoras do Paraguai estão buscando comprar soja da Argentina, situação que não ocorria há muitos anos e que reforça o cenário de perdas elevadas neste ano.

Falando da Argentina com mais detalhes, o país ocupa um lugar de destaque entre os players de milho e soja. No caso do cereal, está constantemente entre os 3 principais exportadores e, se não considerarmos a União Europeia como um único player, está entre os 4 principais produtores. Já para a soja, o país sul-americano ocupa a terceira posição no ranking de produtores e, por mais que não embarque grandes volumes de soja em grão, é o principal exportador mundial de seus derivados.

No país, tem-se observado desde o final do ano passado uma considerável deterioração do cenário para a safra dos grãos. No início de dezembro, 90% do cereal e 88% da oleaginosa se encontravam em condição boa ou excelente na Argentina, enquanto em meados de fevereiro esses números haviam recuado, especificamente para 19% e 31%.

Porcentagem da safra de soja em condição boa ou excelente na Argentina

Fonte:  Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.

Porcentagem da safra de milho em condição boa ou excelente na Argentina

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.

Seguindo essa piora das condições de safra, importantes instituições argentinas revisaram recentemente suas estimativas de produção. Neste mês, a Bolsa de Cereales reduziu sua estimativa para a safra 2021/22 de milho para 51 milhões de toneladas, 6 milhões a menos que o estimado anteriormente. Já o número atual da Bolsa de Rosário aponta para uma produção ainda menor, de 48 milhões de toneladas, contra sua estimativa inicial de 56 milhões de toneladas.

Para a soja, o sentido das revisões foi o mesmo. No início deste mês, a Bolsa de Cereales cortou sua estimativa de produção para 42 milhões de toneladas, contra seu número anterior de 44 milhões, enquanto a Bolsa de Rosário espera uma produção de 40,5 milhões de toneladas, que chegou a ser estimada anteriormente em 45 milhões de toneladas.

Por mais que já tenham sido realizados expressivos cortes nos números argentinos, novas revisões ainda não estão descartadas. Os modelos climáticos apontam para um baixo volume de chuvas em boa parte da região agrícola argentina – área circulada no mapa –, o que pode intensificar os impactos sobre a safra.

Previsão de precipitação na Argentina entre 21 e 27 de fevereiro de 2022 (mm)

Fonte: StoneX,com dados fornecidos pela NASA (Global Precipitation Measurement / GPM). Elaboração: StoneX.

O clima no país ainda pode ter influências importantes sobre o resultado final da produção, já que a soja tem um ciclo mais tardio e a semeadura do milho se alonga por um grande período. Assim, por mais que as perdas na América do Sul como um todo já não tenham reversão, os números argentinos ainda podem sofrer variações em decorrência do clima, cujo padrão mais seco num ano de La Niña continua a predominar.

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.
Este texto teve a colaboração de Ana Luiza Lodi

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