Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Quebra da ‘safrinha’ de milho agrava desequilíbrio entre oferta e demanda

A diferença entre a produção com quebra e o consumo (interno e externo) resultaria em um saldo negativo de 10,9 milhões de toneladas no ciclo 2015/16

A perspectiva de que o ciclo 2015/16 de milho resulte em uma produção menor no inverno agrava a situação de oferta restrita do cereal no mercado brasileiro, que tem sustentado os preços em níveis muito elevados. “Há a necessidade de se importar ou diminuir a demanda (exportações e/ou consumo interno)”, explica a Analista de Mercado da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi. Alternativas estão sendo adotadas, como a liberação de uma quota de importação do cereal para países de fora do Mercosul, sem a cobrança do imposto de importação.
Estimando-se o consumo e as exportações por estado, de acordo com os últimos números da Conab para estas variáveis, haveria um saldo negativo de 10,9 milhões de toneladas no Brasil, resultado da diferença entre o volume de produção menor (considerando as perdas devido ao clima), o consumo e as exportações.

Saldo: Produção (com quebra) – Consumo Interno e Exportações (em milhões de toneladas)

Saldo Produção (com quebra) - Consumo Interno e Exportações (em milhões de toneladas). Fonte INTL FCStone, Conab
Fonte: INTL FCStone; Conab

De acordo com relatório da consultoria, por mais que as importações aumentem, o maior ajuste deve ocorrer pelo lado das exportações, que devem ser reduzidas, direcionando-se mais produto para o mercado interno, considerando que os preços elevados seriam um atrativo para essa “migração”.
No caso da demanda, doméstica, também poderá ocorrer algum ajuste de baixa, uma vez que os preços do milho têm inflado muito os custos de produção de carnes, levando a indústria a procurar alternativas. “Há expectativas de uma maior demanda por exportações de carnes, mas, também, busca-se ajustar a oferta para se ter um espaço maior para repasse aos preços do produto final, num momento complicado de crise econômica”, ressalta Ana Luiza.

Na semana anterior, a consultoria havia reduzido sua estimativa da ‘safrinha’ para 77,9 milhões de toneladas, uma queda de 8% em relação ao número de abril, quando a INTL FCStone esperava 84,6 milhões de toneladas.

Desde a preparação para a semeadura, já havia muitas preocupações com o clima durante a safra de inverno, que sofreu com um bloqueio atmosférico impedindo a formação de frentes frias na maior parte do país durante o mês de abril. Além disso, a falta de chuvas foi acompanhada de temperaturas muito elevadas, o que intensificou o déficit hídrico.
“Com base nos dados de precipitação dos municípios que plantam milho durante a safra de inverno, foi feita uma comparação do acumulado em 2016 com a média para cada período nos últimos 10 anos. Por exemplo, nos últimos 45 dias, 60% da área plantada recebeu menos de 60% da precipitação histórica”, disse a INTL FCStone em relatório. O período de estiagem atingiu as lavouras no início da fase crítica de polinização, o que pode trazer impactos definitivos na produtividade.

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