Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Mesmo com confirmação de La Niña, resultados são difíceis de prever

Possibilidade de ocorrência do fenômeno ganha força, com previsão já em dezembro

O fenômeno climático La Niña é caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico. Há impactos em temperaturas e no regime de chuvas em várias partes do planeta. Contudo, não basta que as águas do oceano estejam mais frias para caracterizar o fenômeno. De acordo com a literatura especializada, a anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) deve persistir com valores inferiores ou iguais a -0,5°C por cinco períodos de três meses consecutivos em uma região específica do Pacífico (região Nino 3.4) para que o fenômeno La Niña esteja caracterizado.

Essa possibilidade ganhou força recentemente, com a possibilidade de um La Niña já em dezembro. Os efeitos do fenômeno sobre o clima tendem a seguir um padrão típico, dependendo da época de ocorrência no ano. Entre  junho a agosto (verão no hemisfério norte), o clima pode ficar mais seco no sul da América do Sul e mais úmido na Austrália, na Indonésia e na Índia. Nesse caso, a Austrália também fica mais quente e Indonésia/Índia que ficam com temperaturas mais baixas. Entre dezembro e fevereiro, pode chover acima da média no Norte/Nordeste do Brasil, assim como em algumas regiões dos EUA, Indonésia e Norte da Austrália. Por mais que a possibilidade de ocorrência de La Niña esteja ganhando força mais recentemente, o padrão mais frio das águas do Oceano Pacífico vem tendo influências sobre o clima no Brasil neste período da safra 2017/18.

Perspectivas são favoráveis

Houve atrasos no período chuvoso, que, demorando mais a chegar, resultou em atrasos no plantio, principalmente em setembro e outubro. Mesmo em novembro, apesar da ocorrência de maiores volumes de precipitação, não houve grande regularidade dessas chuvas. Atualmente, as perspectivas climáticas estão favoráveis. O plantio da soja e do milho verão praticamente estão finalizados e as previsões de chuvas mostram bons volumes e boa regularidade na primeira quinzena de dezembro. Chuvas devem ser registradas, inclusive, no Rio Grande do Sul. No estado, o clima tem recente mostrado um padrão mais seco, uma característica do La Niña.

A grande preocupação que o La Niña traz para o Brasil é a possibilidade de seca na Região Sul. Essa área concentra grande parte da produção de grãos do país. Para a soja, Paraná e Rio Grande do Sul são o segundo e o terceiro maiores produtores. Enquanto isso, a produção de milho verão é muito concentrada no Sul, pela proximidade com os mercados consumidores. Caso o La Niña se confirme entre o final do ano e o começo de 2018, considerando o histórico de outras ocorrências, os resultados são mais difíceis de prever. Há anos com prejuízos para a produtividade e anos com crescimento considerável dos rendimentos.

Clima continua no radar

Independentemente da ocorrência oficial de La Niña ou não, o clima continuará sendo acompanhado de perto nos próximos meses. Tanto as lavouras de soja quanto as de milho primeira safra estarão em pleno desenvolvimento. As previsões climáticas mais longas, para dezembro e janeiro, indicam chuvas abaixo do previsto para o Rio Grande do Sul. Entretanto, caso as precipitações não desviem muito da média, os impactos sobre as lavouras podem nem ser sentidos. Em estados do MATOPIBA, também há previsões de menos precipitações que o normal, o que pode resultar em prejuízos, dependendo dos volumes, lembrando que o ciclo na região é um pouco mais tardio. Cabe ressaltar, contudo, que de acordo com as característica do La Niña, as regiões Norte e nordeste deveriam receber chuvas acima da média, diferentemente do que indica a previsão. Somente há previsão de chuvas acima da média no leste baiano.

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