Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Exportações brasileiras de soja em abril ultrapassam 10 milhões de toneladas

Demanda chinesa e guerra comercial geram dúvidas quanto ao andamento das exportações nos próximos meses

As exportações brasileiras de soja alcançaram 10,05 milhões de toneladas em abril, nível levemente mais baixo que no mesmo período dos três anos anteriores. No acumulado desde janeiro, os embarques atingem 27,7 milhões de toneladas, superando consideravelmente o registrado nos anos anteriores, mesmo em 2018, quando as exportações anuais foram recordes. Nos primeiros quatro meses do ano passado, foram embarcadas 23,5 milhões de toneladas de soja.

Apesar do bom desempenho das exportações brasileiras de soja nestes primeiros meses de 2019, as quais ainda estão sendo influenciadas pelo contexto de guerra comercial, existem muitas preocupações sobre qual será o volume embarcado nos próximos meses. As estimativas da INTL FCStone estão em 71,5 milhões de toneladas a serem exportadas neste ano, volume que é consideravelmente mais baixo que o de 2018, em quase 84 milhões de toneladas, já que a disponibilidade da oleaginosa no mercado doméstico está menor, em decorrência de uma produção um pouco mais baixa e de estoques iniciais muito limitados.

Até a semana passada, as perspectivas para uma possível solução da guerra comercial entre China e EUA estavam positivas, com as constantes reuniões entre autoridades dos dois países, apesar de nenhuma medida concreta ter sido anunciada. Entretanto, neste final de semana, em uma rede social, o presidente Donald Trump declarou que aumentaria a tarifa sobre US$ 200 bilhões em importações de produtos chineses de 10% para 25%. Trump justificou que as tarifas já em vigor são em parte responsáveis pelos bons resultados recentes da economia norte-americana e lamentou que as negociações comerciais entejam caminhando muito lentamente. Essa declaração gerou reações imediatas no mercado financeiro, pesando sobre as cotações da soja no pregão noturno.

No caso da falta de solução do impasse comercial entre EUA e China, as exportações brasileiras de soja poderiam ser favorecidas, mas com volumes limitados à oferta menor esperada para 2019. Contudo, independentemente da origem da soja importada pela China, a grande questão que ronda o mercado da oleaginosa é qual o volume total o país deve demandar.

Os recorrentes casos de peste suína africana, registrados desde agosto do ano passado, têm afetado fortemente o rebanho suíno do país. Apesar de não se conhecerem os números oficiais, há estimativas de que o contágio já chega a 40% dos animais, que acabam sendo abatidos. Dessa forma, além da preocupação com a possibilidade de novos casos, não somente na China, os impactos sobre o consumo de ração devem ser muito significativos, apesar de muitos criadores no país ainda utilizarem restos de comida na alimentação dos animais, devido aos custos mais elevados da ração. Ademais, mesmo tomando-se medidas eficientes para o controle da doença, uma total recuperação do setor deve levar anos, o que traz incertezas para o mercado mundial de soja. Mesmo com a China buscando comprar diretamente a carne para suprir sua demanda, uma reconfiguração dos volumes e fluxos de exportação leva tempo, já que outros países precisaram aumentar a produção de proteína e consequentemente consumirão mais soja/farelo de soja.

Diante desse cenário, apesar de o Brasil ser o maior exportador mundial de soja, o total a ser exportado em 2019 ainda pode variar significativamente em relação às estimativas atuais.

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