Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Exportações brasileiras começam janeiro mais aquecidas

Mesmo com safra adiantada, no entanto, ritmo deve ganhar maior força em fevereiro

Após as exportações brasileiras de soja terem alcançado quase 84 milhões de toneladas em 2018, as expectativas estão voltadas para os embarques em 2019.

Os dados oficiais sobre dos três primeiros dias de janeiro alcançaram 363,9 mil toneladas exportadas, volume mais acelerado que no mesmo período de anos anteriores, mas que representa um espaço de tempo muito curto e que ainda é soja do ano passado.

As expectativas iniciais são de que as exportações em janeiro possam ficar mais aquecidas que em outros anos, uma vez que o plantio da soja 2018/19 foi mais adiantado.

Ademais, a seca de dezembro acelerou o ciclo das lavouras afetadas. Os line-ups indicam exportações que podem superar 2 milhões de toneladas de soja neste primeiro mês, o que seria um recorde. Contudo, destaca-se que os embarques devem ganhar ritmo mesmo a partir de fevereiro.

A primeira soja sendo colhida em Mato Grosso, por exemplo, está sendo direcionada ao esmagamento no mercado interno e no Paraná grande parte dos contratos fechados são para embarque em fevereiro.

De qualquer maneira, há outros fatores que preocupam mais que o ritmo inicial das exportações, que podem afetar o total que será exportado neste ano.

  • A principal questão é quanto à posição da China em relação à soja norte-americana, uma vez que até o momento não se chegou a uma definição sobre o mercado da oleaginosa no âmbito da guerra comercial entre os dois países.

Caso a soja dos EUA continue a ser taxada pelos chineses, a procura pelo produto brasileiro tende a se manter aquecida.

Por outro lado, no caso de um acordo, as exportações brasileiras tendem a voltar a níveis um pouco mais baixos, mais perto do observado no período pré-guerra.

  • Um ponto que também preocupa é a demanda chinesa por soja de maneira geral. Em meio à guerra comercial, o país asiático realizou esforços para diminuir suas importações de soja como um todo, independentemente de qual a origem do grão.

Houve busca por outras oleaginosas, por farelo de alguns países, e até a recomendação de se reduzir a participação do farelo na indústria de suínos, que é a maior do mundo. Com isso as projeções do país apontam para importações totais ao redor de 85 milhões de toneladas no ano safra 2018/19, quando as estimativas iniciais superavam 100 milhões de toneladas.

Além disso, o país está enfrentando casos recorrentes de febre suína africana, com impacto sobre o tamanho do rebanho, já que animais estão sendo sacrificados.

  • Pelo lado doméstico, a oferta disponível para ser exportada deve ser bem menor. A safra brasileira 2018/19 já teve seu potencial reduzido e os estoques de safras passadas, revisados pela Conab no relatório de dezembro, foram consumidos em 2018 para atender a forte demanda chinesa.

Assim, mesmo que China tente comprar o máximo possível de soja brasileiras neste ano, os volumes não devem ultrapassar chegar a 80 milhões de toneladas, a não ser que haja que no esmagamento domésticos e/ou aumento das importações.

Assim, por mais que as exportações iniciais do ano safra 2018/19 estejam sendo acompanhadas de perto, principalmente porque os embarques do Brasil se alternam com o dos EUA e exportações brasileiras fracas por um período mais longo poderiam abrir espaço para algum aumento de volume por parte dos EUA, as questões comerciais devem continuar no centro das atenções.

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