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Lucas Pereira

Lucas Pereira

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP, com passagem pela School of Management da Technical University of Munich. Trabalha desde 2018 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, atuando nos mercados de Grãos e Pecuária.

Entraves logísticos e competição sul-americana prejudicam exportações dos EUA

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No caso da soja, a guerra comercial continua sendo o principal ponto

Os meses de janeiro e fevereiro trouxeram um volume de precipitação acima do esperado no Meio-Oeste dos Estados Unidos, o que tem causado empecilhos para o escoamento da produção agrícola do país. Isto pois cerca de 60% do milho e da soja exportados pelos EUA são carregados nos portos do Golfo do México—até onde são transportados das regiões produtoras, localizadas mais ao norte, por meio da bacia do Rio Mississippi. No entanto, como resultado do excesso de chuvas, tal transporte tem sido restringido nos últimos dias.

No decorrer dos últimos dois meses, a precipitação acima da média no Meio-Oeste norte-americano provocou diversos pontos de alagamento ao longo do percurso do Rio Mississippi, principalmente nos estados sulistas da Louisiana e Arkansas. Ademais, o acúmulo de neve e gelo em estados mais ao norte, sobretudo Illinois, tem gerado bloqueios para a passagem de barcaças em afluentes do Rio Mississippi, que também são utilizados no escoamento da produção agrícola.

Com efeito, há atualmente um impasse logístico no principal canal de transporte da produção de soja e milho dos EUA, o que tem impactado as exportações do país. Embora as enchentes do Rio Mississippi sejam usuais para a primavera do Hemisfério Norte, nota-se que nesse ano o fenômeno tem sido mais intenso, além de ter começado mais cedo que o normal.

Como consequência da maior dificuldade de transportar a produção até os portos exportadores no Golfo do México, é registrado o avanço nos prêmios nos portos norte-americanos nas últimas semanas. Atualmente, a cotação do milho em Nova Orleans é de 468,75 cents por bushel, patamar 6,1% superior do que no início de fevereiro.

No caso da soja, as cotações em Chicago recebem suporte de uma possibilidade de acordo entre EUA e China no âmbito da guerra comercial. Em Nova Orleans, o preço avançou 2,7% no último mês, atingindo 926 cents por bushel.

Nesse contexto, os grãos nos EUA tem perdido competitividade em relação aos seus pares sul-americanos. Nessa época do ano, o milho norte-americano sofre concorrência do produto argentino—que registra colheita antecipada no momento, mas cuja oferta no mercado tende a se intensificar em abril. A soja americana, por sua vez, rivaliza com a oleaginosa brasileira, que têm 57,4% da safra 2018/19 colhida no momento.

A soja em Paranaguá permanece mais cara do que a oleaginosa no Golfo do México devido às questões comerciais. No entanto, a diferença entre os preços tem reduzido significativamente desde meados de novembro, quando as negociações entre EUA e China começaram a avançar.

O comportamento dos prêmios/preços da oleaginosa no Brasil nos próximos meses vão continuar dependendo muito do andamento das negociações comerciais entre China e EUA, que devem determinar se a demanda pela oleaginosa brasileira será tão forte quanto no ano passado. Em 2018, a China buscou comprar o máximo possível de soja no Brasil.

Perspectivas

Considerando a logística, a situação deve continuar complicada para as exportações norte-americanas no curto prazo., num momento de entrada da safra sul americana de soja e milho. As previsões climáticas não apontam para uma solução ao entrave logístico na bacia do Rio Mississippi até a segunda metade de março—o que deve continuar afetando negativamente o escoamento e a competitividade dos grãos no Golfo do México.

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