Com seca e temperatura elevada, Maranhão deve colher menos soja

Calor e seca se combinaram para reduzir a qualidade das sementes de soja. Em visita e conversa com a Agrex, estima-se que os rendimentos médios de Balsas, no Maranhão, ficarão em torno de 25-30 sacas/ ha de oleaginosa, contra 42-45 sacas/ ha no ciclo passado.

Destaca-se que a região possui muitas áreas novas, e por isso raramente ultrapassa rendimentos de 50 sacas/ ha. O produtor Elder Paulo Cremonesi, que planta 2450 hectares de soja e 1200 hectares de milho verão, espera colher 35 sacas/ ha com a ajuda das chuvas (contra 57 sacas/ ha nos anos anteriores).

De acordo com a opinião de Cremonesi, a safra já estava condenada no momento do plantio, com sementes ruins, calor e seca. “Essas condições levaram à falta de uniformidade na plantação, com plantas geminando em momentos diferentes e algumas florescendo ainda muito pequenas. Com isso, vimos colheita de soja parcialmente verde, o que pode estar aumentando a umidade média dos grãos”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho, a campo.

Na maioria das vezes, o El Niño é favorável à região, por permitir maior luminosidade. Mas este ano o efeito climático foi exagerado, levando à quebra. O impacto foi muito irregular, com algumas áreas (como Gerais de Balsas) registrando boas produtividades.

Montagem safra - post 1 - Maranhão

Outro produtor de Balsas, que geralmente colhe 55 sacas/ ha, acredita que o calor tenha sido mais prejudicial do que a seca, e esta deve ser a pior quebra em 20 anos na região. Um fator desfavorável também foi o armazenamento (durante mais de dois meses) de sementes compradas para plantio em novembro.
Em uma área de 2300 hectares deste produtor, choveu 479mm (praticamente tudo em janeiro). O plantio ocorreu em dezembro, com volume de apenas 29mm durante o mês, o que acabou fazendo com que metade da área mudasse para o milho. Já em outra lavoura (do mesmo produtor), correspondente a 2400 hectares, faltou um pouco de precipitações durante o enchimento do grão. Estima-se que, nas duas propriedades, devem ser colhidas 36 sacas/ ha de soja.

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O Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM) aumentou o mercado potencial de milho, fato que incentivou mais produtores a optar pelo cereal depois de perder a janela da soja. A maior parte da oleaginosa é escoada pelo Porto Seco de Porto Franco ou é transportada de caminhão para o TEGRAM.

Com relação aos custos de produção, nota-se que as despesas em reais subiram, com o aumento estando relacionado ao diesel, frete de fertilizantes e sementes mais tecnificadas. As intempéries ocorridas durante o ciclo atual ocuparam os produtores, atrasando a aquisição de sementes e adubos para a próxima safra.

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