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Lucas Pereira

Lucas Pereira

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP, com passagem pela School of Management da Technical University of Munich. Trabalha desde 2018 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, atuando nos mercados de Grãos e Pecuária.

Clima impõe desafios e incertezas para a safra de milho nos EUA

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Nos últimos três meses, a precipitação acumulada nos estados do Meio Oeste norte-americano excedeu, em média, mais de três vezes o volume esperado para o período. Ademais, nesta primavera no hemisfério norte, o clima tem sido marcado por temperaturas inferiores ao normalmente registrado.

Com efeito, o cenário climático atual traz impactos relevantes para a produção agrícola no país, e tem sido o foco central das discussões acerca da safra norte-americana em 2019/20—sobretudo em relação ao milho, já que os números finais da safra, como área plantada, produtividade e produção, estão diretamente associados ao tema.

O atraso no plantio do milho e a possível redução da área plantada

O efeito mais imediato das chuvas no Meio Oeste dos EUA é o atraso no plantio da safra nova, uma vez que o clima adverso inviabiliza os trabalhos no campo. Na região, que é o cinturão agrícola do país, há diversos casos de fazendas inundadas, o que impede o acesso de caminhões e maquinário.

Nesse contexto, o milho tem sido muito afetado, já que possui a janela de plantio com o início mais precoce, em comparação à soja, começando no início de abril. Com efeito, 2019 já é o ano com o progresso de plantio mais demorado do registro histórico.

A região do corn belt é a mais impactada pelas chuvas, notadamente, os estados de Illinois, Iowa, Kansas e Nebraska—que, somados, respondem por 48% da produção de milho do país. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até o momento, o plantio do cereal registra progresso de 80% tanto em Iowa como em Nebraska, ante média para a data de 98% para ambos os estados. Em Illinois, principal produtor, a situação é mais crítica: apenas 45% da área de milho foi plantada, consideravelmente inferior à média histórica de 97%. No agregado para os EUA, 67% da safra de milho total encontra-se semeada, o que se compara a uma média de 95% para a data em questão.

Nesse cenário, destaca-se que a janela ideal de plantio do milho nesses estados se encerra entre a última semana de maio e a primeira semana de junho – isto é, caso o milho seja semeado após esse período, há menor probabilidade que a safra tenha desenvolvimento adequado.

Com isso, cresce a perspectiva de que a área plantada final de milho na safra 2019/20 poderá ser menor do que a previamente estimada, havendo possibilidade de troca de área em favor da soja—cuja janela de plantio é mais prolongada. No momento, ainda restam mais de 12 milhões de hectares de milho a serem plantados, cerca de um terço da área total estimada pelo USDA para o ciclo atual.

A incerteza sobre a produtividade da safra

O atraso no plantio e a possível redução de área têm motivado a trajetória altista das cotações dos contratos futuros milho em Chicago nas últimas semanas. No entanto, o ímpeto recente nos preços é suportado, também, pela preocupação de que o clima adverso levará a rendimentos inferiores ao projetado para o ciclo 2019/20. Isto pois, mesmo que plantado dentro da janela de plantio, o milho enfrentará condições de solo, umidade e temperatura desfavoráveis—o que pode reduzir a produtividade final da safra.

Nesse sentido, é valido analisar o Índice de Saúde da Vegetação (ISV) das principais regiões produtoras. O ISV pondera impactos da temperatura e umidade sobre as lavouras, variando de 0 (estresse extremo) a 100 (condições ideais), e pode ser considerado um indicador de produtividade, principalmente se comparado com os valores observados em outros anos.

Desse modo, por exemplo, verifica-se que o ISV da área agricultável de Iowa está atualmente abaixo da média para o período, enquanto o índice de Illinois, embora ainda elevado, apresenta trajetória descendente. Contudo, ressalta-se que o comportamento do ISV nas próximas semanas será determinante: normalmente, o final de maio marca o início da primavera, que é acompanhado de temperaturas mais elevadas e menos precipitação—o que tende a melhorar as condições do solo e, consequentemente, elevar o ISV.

Entretanto, caso as previsões climáticas se confirmem e o clima frio e úmido no corn belt se mantenha, o ISV pode não apresentar a recuperação que é observada sazonalmente. Nesse quadro, a safra de milho sofreria com circunstâncias desfavoráveis para o seu pleno desenvolvimento—o que poderia resultar em sementes não germinadas, plantas defeituosas, grãos com tamanho reduzido, etc.

Ademais, outro fator que possui potencial de impactar negativamente a produtividade final da safra 2019/20 é a ausência de adubação adequada do solo e da lavoura. De início, o solo excessivamente úmido impede o manejo adequado do mesmo pré-plantio, assim como a aplicação de fertilizantes—já que o terreno não absorve os nutrientes satisfatoriamente sob as condições atuais.

Além disso, as chuvas têm criado obstáculos para a própria aquisição de fertilizantes, defensivos e demais insumos químicos por parte dos agricultores, uma vez que parcela considerável desses produtos chega nas lavouras do Meio-Oeste por via fluvial através da bacia do rio Mississippi. No entanto, o volume elevado de chuvas provoca uma série de pontos de enchentes ao longo do rio, causando graves entraves logísticos e o bloqueio das vias utilizadas.

Nesse cenário, surge um contexto de grande incerteza em relação à safra de milho dos EUA, já que tanto a área plantada como os rendimentos da safra são uma incógnita, devido às chuvas. Ao que tudo indica, a produção de milho norte-americana em 2019/20 será menor que o previsto anteriormente—no entanto, mensurar tal redução é tarefa difícil. De todo modo, a conjuntura atual pode permanecer sustentando os preços internacionais do milho no curto prazo – o que, associado à produção reduzida nos EUA, pode favorecer as exportações de milho brasileiras em 2019, impulsionadas por uma safrinha volumosa e câmbio desvalorizado.

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