Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de grãos.
Este texto teve a colaboração de Luigi Bezzon, João Lopes e Mariana Godoi.

Arco Norte ganha relevância no comércio externo do Brasil

Melhorias logísticas internas também contribuem para maior utilização de terminais do Norte, que aproxima o Brasil de regiões como Europa e América do Norte

O Brasil se destaca no comércio exterior de commodities agrícolas, ocupando o primeiro lugar nas exportações mundiais de soja e o segundo nas de milho. No caso do trigo, cuja produção nacional não é suficiente para atender a demanda, o destaque fica pelo lado das importações, com origem principalmente na Argentina.

Dessa forma, a logística tem um papel central no mercado de grãos. Além de investimentos em portos, a movimentação interna também é extremamente relevante, num país de dimensões continentais como o Brasil.

Devido às longas distâncias em relação aos portos, em várias regiões do país, a soja e o milho brasileiros oferecem descontos em relação ao preço de referência internacional em Chicago. Com isso, localidades mais próximas dos portos ou de grandes regiões consumidoras apresentam preços mais altos, inclusive com basis positivos. Em 2020, é importante destacar que mesmo em regiões onde geralmente há descontos em relação à Chicago, registrou-se basis positivos, em meio ao cenário de preços domésticos muito fortalecidos.

Um dos principais desenvolvimentos logísticos nos últimos anos foi o aumento da utilização dos portos do Arco Norte. Mesmo com os portos do Sudeste e Sul mantendo o escoamento dos maiores volumes de grãos do país e também sendo por onde se entra a maior parte do trigo, outros portos, com destaque para os do Norte/Nordeste têm ganhado espaço.

Assim, a logística interna para se chegar a esses portos do Arco Norte tem ganhado mais atenção. Um exemplo recente foi a finalização do asfaltamento da BR-163, que era uma das principais demandas para facilitar o escoamento pelos portos da região e que teve impacto imediato no frete rodoviário para se chegar até Miritituba no Pará.

A obra foi entregue no final de 2019 e, em janeiro deste ano, os fretes entre Sorriso e Miritituba já foram beneficiados, recuando em relação à média de anos anteriores, num período de entrada da safra de soja no mercado, quando geralmente os preços do frete avançam.

Comparativo de fretes de grãos com origem em Sorriso/MT


Fonte: Imea.
 

 Destaca-se também que a maior participação dos portos do Arco Norte aumenta também a demanda por opções internas de transporte multimodal. O Brasil ainda concentra o transporte de cargas em rodovias, com mais de 60% de tudo que é movimentando internamente utilizando esta opção. Contudo, os investimentos em opções multimodais com a combinação de rodovia e hidrovia e também de rodovia e ferrovia tem ganhado espaço e contribuído para tornar a logística interna mais competitiva.

 

Soja – escoamento pelo Arco Norte

Os portos do Arco Norte ganharam participação no total exportado de soja nos últimos anos.

Entre janeiro e novembro de 2020, o do Arco Norte respondeu pelo embarque de 17,3 milhões de toneladas da oleaginosa, isto é, 21% do total exportado.

Em comparação com o mesmo período de 2019, os embarques pelo Arco Norte foram 21% menores em 2020, apesar do incremento no volume total exportado pelo país. No entanto, expandindo-se esta comparação para os últimos 5 anos, é possível observar um relevante ganho de representatividade destes portos no cenário nacional. Em 2015, apenas 14% da soja brasileira era escoada pelo Arco Norte, em 2019, este número saltou para 31%.

Exportações de soja (jan-nov) – Brasil (milhões de toneladas)

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

Dentre os estados de origem da soja exportada pelos portos do Arco Norte, o Mato Grosso respondeu por 59% do volume escoado nos primeiros 11 meses de 2020, seguido pela Bahia e Pará, com 17% e 10%, respectivamente.

Origem das exportações de soja (jan-nov) – Arco Norte

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

 Assim como no cenário nacional, a China é o principal destino da soja exportada pelo Arco Norte brasileiro, mas com uma participação significativamente menor. Entre janeiro e novembro deste ano, cerca 31% do volume exportado pela região teve como destino o país asiático. Em seguida, os maiores volumes exportados foram para os países europeus, região em que os portos do Arco Norte possuem vantagem de menor distância em relação aos portos de Santos e Paranaguá. Holanda, Espanha e Turquia responderam por 17%, 12% e 9% dos volumes embarcados até novembro de 2020, respectivamente.

Destino das exportações de soja (jan-nov) – Arco Norte

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

 

 Milho – escoamento pelo Arco Norte

Entre janeiro e novembro de 2020, os portos do Arco Norte foram responsáveis pelo embarque de 12,3 milhões de toneladas de milho. Em comparação com o mesmo período de 2019, isto representa uma queda de 5%, mas em relação a 2015, o volume exportado aumentou 181,4%.

Apesar da contração observada nos embarques do cereal brasileiro em relação a 2019, a participação das instalações portuárias do Arco Norte nas exportações do grão avançou consideravelmente no país em 2020, mantendo o movimento observado nos últimos anos. Cerca de 41% do total exportado de milho nos onze primeiros meses deste ano saíram do país pelos portos do Arco Norte, contra 33% no último ano e 19% em 2015.

Exportações de milho (jan-nov) – Brasil (milhões de toneladas)

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

 Em relação aos estados de origem do cereal, 78% do milho escoado pelos portos do Arco Norte saiu do Mato Grosso, principal produtor brasileiro. Em seguida destacam-se Maranhão e Tocantins, com participações de, respectivamente, 8% e 5%.

O destino dos embarques pelos portos do Arco Norte é consideravelmente diversificado. Entre janeiro e novembro, o Egito foi o principal destino, com uma participação de 16% nas exportações de milho pelos portos analisados, seguido pela Espanha, com 15%, e pelo México, com 10%.

Destino das exportações de milho (jan-nov) – Arco Norte

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

 Ainda em relação aos destinos, é interessante destacar a importância das instalações portuárias do Arco Norte para que o Brasil atenda regiões como a América do Norte, Europa e Norte da África, visto que a distância dessas regiões para os portos do Sul e Sudeste do país é consideravelmente maior. Aproximadamente 81% do milho embarcado para o Egito foi escoado pelo Arco Norte, enquanto 79% do cereal exportado para a Espanha e praticamente 100% do grão enviado para o México saíram do Brasil pelos portos do Arco Norte.

 

Trigo – importação pelo Arco Norte

No caso das importações de trigo, também foi observada nos últimos anos uma crescente participação na entrada pelos portos do Arco Norte (com destaque para o porto de Salvador). Em 2016 (janeiro-novembro), apenas 11% (650 mil toneladas) do cereal total importado entrava pelo país por esses portos, em 2020 a participação avançou para 20% (1,18 milhões de toneladas), avançando 3 pontos percentuais na comparação com o ano anterior.

Importações de trigo por porto (jan-nov) – Brasil (mil toneladas)

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

 

O aumento da participação dos portos dessa região é de grande importância para a cadeia logística do trigo, tendo em vista que facilita a distribuição para os moinhos da Região Nordeste, que, após a Região Sudeste, representa a maior região consumidora do país.

Dos portos dessa região, destaca-se o porto de Salvador, cujo as importações de trigo alcançaram 811 mil toneladas no acumulado de 2020, representando 69% do trigo total que entrou pelo Arco Norte e 14% considerando todos os portos, um aumento em comparação com 2019, quando 10% (569 mil toneladas) do trigo entrou no país por Salvador.

Origem das importações de trigo (jan-nov) – Arco Norte

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Manaus, Itacoatiara, Belém, São Luís, Santarém, Barcarena e Salvador.

No que diz respeito à origem do cereal importado pelo Arco Norte, a maior parte (63%) vem da Argentina, principal fornecedor do Brasil. No entanto, é possível destacar a importância dessa região para a entrada do trigo com origem nos países do hemisfério norte, como Estados Unidos (17%), Rússia (5%) e Canadá (2%). Comparando com o porto de Santos, no mesmo período, 94,6% do trigo importado veio da Argentina e apenas 5,4% dos Estados Unidos.

 

 

 

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de grãos.
Este texto teve a colaboração de Luigi Bezzon, João Lopes e Mariana Godoi

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